O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda uma ampla renovação na cúpula das Forças Armadas para o início de seu quarto mandato, segundo reportagem do O Globo. Pela primeira vez desde a redemocratização, Exército, Marinha e Aeronáutica podem vir a ser comandados simultaneamente por oficiais que completaram sua formação militar após 1985, quando terminou a ditadura.
Os três comandantes atuais sinalizaram a intenção de deixar seus postos em janeiro. O general Tomás Paiva, responsável pelo Exército, é cotado para o Gabinete de Segurança Institucional (GSI). O brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, da Aeronáutica, e o almirante Marcos Sampaio Olsen, da Marinha, também manifestaram disposição de encerrar suas funções. Os três lideram essas instituições desde o início do governo atual.
Os nomes dos sucessores devem ser anunciados ainda em outubro, permitindo a transição para janeiro. Entre os apontados para suceder Paiva está o general Francisco Montenegro Júnior, atualmente chefe do Estado-Maior do Exército. Na Aeronáutica, o brigadeiro Walcyr de Castilho Araújo e o brigadeiro Ary Soares Mesquita aparecem como principais candidatos. Na Marinha, ganham destaque o almirante Arthur Fernando Bettega e o almirante Carlos Chagas Vianna Braga.
Mudança geracional marcante
Os comandantes em exercício concluíram sua formação durante o governo de João Figueiredo, último presidente da ditadura. Paiva tornou-se aspirante a oficial em 1981, enquanto Damasceno e Olsen ingressaram como oficiais em 1982. Os possíveis substitutos, em contraste, completaram a formação a partir de 1985, já sob o governo civil de José Sarney.
Mudanças no Ministério
A reorganização também deve atingir o Ministério da Defesa. José Múcio Monteiro, que comanda a pasta desde início de 2023, decidiu deixar o cargo. Lula tende a manter um civil na função. Cinara Wagner Fredo, secretária-geral do ministério, conta com apoio de Múcio para a sucessão. Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, também é considerado para o cargo.
A renovação ocorre após quatro anos marcados por investigações e condenações relacionadas à tentativa de golpe de 2023. Durante esse período, integrantes das Forças Armadas foram processados e condenados por envolvimento na trama golpista, entre eles os generais Walter Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira.






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