Especial interativo: o ministério de Lula 4, com os 15 nomes cotados● ESPECIAL INTERATIVOToque em cada prédio da Esplanada e monte o seu ministérioFicha completa de cada cotado, trajetória, termômetro da cotação e o botão de aprovar ou reprovar. Seu placar vai para o WhatsApp.Abrir o especial →

A eleição acabou no domingo e a disputa começou na segunda. Reeleito no domingo (25), o presidente Lula começa a montar a equipe do quarto mandato, e em Brasília a pergunta agora é quem senta em qual cadeira da Esplanada a partir de 5 de janeiro de 2027, a primeira posse presidencial fora do 1º de janeiro desde a redemocratização.

A lista que circula nos bastidores, e que o Você Viu Isso? reuniu a partir do que saiu na imprensa, mistura continuidade e surpresa. Quatro ministros devem ficar onde estão. Quatro nomes conhecidos voltam ao governo, alguns em pastas diferentes das que deixaram. E sete estreiam, entre eles um promotor sem partido, Lincoln Gakiya, jurado de morte pelo PCC, para uma pasta da Segurança Pública que ainda depende do Senado, e a senadora Simone Tebet como aposta para o Supremo Tribunal Federal.

Há um traço comum em boa parte da lista: Lula pretende abrigar aliados que se sacrificaram nas urnas para puxar votos para ele nos estados e perderam. Haddad em São Paulo, João Campos em Pernambuco, Marina e Tebet na disputa pelo Senado paulista, Paes no Rio. Na Fazenda, o favorito é o governador do Piauí, Rafael Fonteles, reeleito com 70,9% dos votos, segundo o Brasil 247.

Como ler esta lista. São nomes cotados, não anunciados: até esta quinta-feira (29), Lula não confirmou nenhum ministro do novo governo. As pastas podem mudar até a posse. Camilo Santana também é citado para a Segurança, Haddad para a Casa Civil e Alckmin para a Fazenda. O Ministério da Segurança Pública só existe se o Senado aprovar a PEC da Segurança. E para o STF também se fala em Rodrigo Pacheco, com Tebet indo para o TCU ou ficando no Planejamento.

Quem fica

Indústria e Comércio: Geraldo Alckmin

O vice que virou o negociador do governo com o empresariado e com Washington.

Médico anestesista, Alckmin foi prefeito de Pindamonhangaba aos 24 anos, governou São Paulo por quatro mandatos e disputou a Presidência em 2006 e 2018. Em 2022, ex-adversário histórico, virou vice de Lula e símbolo da frente ampla.

Desde 2023 acumula a Vice-Presidência com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Comandou a Nova Indústria Brasil e foi o principal negociador do governo no tarifaço de Donald Trump, em 2025.

A favor: Ponte com o empresariado e o agro; Experiência de sobra; Lealdade a Lula testada em quatro anos; Calma para negociação dura. O que pesa: Acumula dois cargos pesados; Também é citado para a Fazenda. Ficha completa →

Saúde: Alexandre Padilha

O médico que criou o Mais Médicos e voltou para tirar o SUS da fila.

Médico infectologista formado pela Unicamp, Padilha foi ministro da Saúde de Dilma (2011–2014) e criou o Mais Médicos, que levou profissionais a milhares de cidades sem atendimento. Foi também ministro das Relações Institucionais nos governos Lula e deputado federal por São Paulo.

Voltou à Saúde em março de 2025 com uma missão: reduzir a espera por consulta com especialista, exame e cirurgia no SUS, com o programa Agora Tem Especialistas.

A favor: Médico, conhece o SUS por dentro; Já foi ministro da pasta duas vezes; Experiência de articulação no Congresso. O que pesa: A fila do SUS ainda é a maior queixa do eleitor; Orçamento da Saúde sempre apertado. Ficha completa →

Secretaria-Geral: Guilherme Boulos

O líder dos sem-teto que virou a ponte do Planalto com a rua.

Formado em Filosofia pela USP e mestre em Psiquiatria, Boulos coordenou o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e se tornou a principal liderança da nova esquerda paulista. Disputou a Presidência em 2018 e foi ao segundo turno em São Paulo em 2020 e 2024.

Em 2022, foi o deputado federal mais votado de São Paulo, com mais de 1 milhão de votos. Em outubro de 2025, assumiu a Secretaria-Geral da Presidência para reaproximar o governo dos movimentos sociais e da periferia.

A favor: Mobiliza como poucos; Fala com a periferia e com o jovem; Liderança do PSOL dentro do governo. O que pesa: Rejeição alta na classe média; Alvo preferido da oposição. Ficha completa →

Relações Exteriores: Mauro Vieira

O diplomata de carreira que segurou o Itamaraty no tarifaço e na COP30.

Diplomata de carreira desde os anos 1970, Mauro Vieira foi embaixador na Argentina, nos Estados Unidos e na ONU, e chanceler de Dilma Rousseff (2015–2016).

De volta ao Itamaraty desde 2023, conduziu a presidência brasileira do G20 em 2024, a cúpula do Brics no Rio em 2025, a COP30 e a crise do tarifaço de Trump, que terminou com a reaproximação entre os dois presidentes.

A favor: Conhece Washington e Buenos Aires por dentro; Discreto e técnico; Confiança de Lula na política externa. O que pesa: Pouco peso político próprio; Divide o palco com Celso Amorim, assessor especial de Lula. Ficha completa →

Quem volta

Casa Civil: Camilo Santana

O "nome garantido": a dúvida em Brasília não é se ele entra, é em qual cadeira senta.

Engenheiro agrônomo, Camilo governou o Ceará por dois mandatos (2015–2022) e foi reeleito em 2018 no primeiro turno, com quase 80% dos votos. Saiu do Palácio da Abolição para o Senado em 2022 e, no mesmo dia, foi chamado por Lula para o Ministério da Educação.

No MEC, tocou o Pé-de-Meia, a poupança que paga o aluno pobre para não largar o ensino médio, e o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, inspirado no modelo cearense que virou referência no país. Deixou a pasta em abril de 2026 para entrar na campanha da reeleição.

A favor: Confiança pessoal de Lula; Gestor testado: oito anos de governo estadual; Trânsito no Senado, onde tem mandato até 2031; Resultado para mostrar na educação. O que pesa: A dúvida entre Casa Civil e Segurança; Disputa a vaga com Haddad, também citado para a Casa Civil. Ficha completa →

Educação: Fernando Haddad

Volta para a casa onde criou o ProUni e transformou o Enem no vestibular do país.

Professor da USP, formado em Direito, mestre em Economia e doutor em Filosofia, Haddad comandou o MEC de 2005 a 2012, nos governos Lula e Dilma. É dessa época o ProUni, a expansão das universidades e institutos federais, o Ideb e o novo Enem, que em 2009 virou a porta de entrada para a universidade pública.

Foi prefeito de São Paulo (2013–2016), candidato a presidente em 2018 e, a partir de 2023, ministro da Fazenda: aprovou o arcabouço fiscal, a reforma tributária e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Saiu em março de 2026 para disputar o governo paulista e perdeu para Tarcísio no primeiro turno.

A favor: Pai do ProUni e do novo Enem; Reforma tributária no currículo; Um dos quadros mais preparados do PT; Interlocução com a universidade e com o mercado. O que pesa: Vem de derrota dura em São Paulo; Também é cotado para outra pasta, a Casa Civil. Ficha completa →

Meio Ambiente: Marina Silva

Do seringal no Acre à COP30: a ministra que o mundo inteiro conhece pelo nome.

Filha de seringueiros, Marina nasceu no seringal Bagaço, no Acre, e só aprendeu a ler aos 16 anos. Lutou ao lado de Chico Mendes, foi senadora pelo Acre e ministra do Meio Ambiente de Lula de 2003 a 2008. O plano de combate ao desmatamento que ela criou ajudou a derrubar a destruição da Amazônia em mais de 80% entre 2004 e 2012.

Disputou a Presidência três vezes. Voltou ao ministério em 2023, viu o desmatamento cair de novo e foi o rosto do Brasil na COP30, em Belém. Deixou a pasta em 2026 para disputar o Senado por São Paulo e não se elegeu.

A favor: Credibilidade internacional sem igual; Resultado concreto contra o desmatamento; Biografia que inspira. O que pesa: Atritos com o agro e com a ala que quer petróleo na Margem Equatorial; Vem de derrota em São Paulo. Ficha completa →

Direitos Humanos: Benedita da Silva

A primeira senadora negra do Brasil, nascida na favela do Chapéu Mangueira.

Benedita cresceu no morro do Chapéu Mangueira, no Rio, foi empregada doméstica, auxiliar de enfermagem e assistente social. Em 1982 virou a primeira vereadora negra da cidade, foi deputada constituinte e, em 1995, a primeira mulher negra eleita senadora no Brasil.

Governou o estado do Rio em 2002, primeira mulher no cargo, e foi a primeira ministra da Assistência Social de Lula (2003–2004). Ela deixou o cargo depois da polêmica de uma viagem a Buenos Aires paga com dinheiro público, que depois devolveu. Fez carreira longa na Câmara e, em 2026, disputou o Senado pelo Rio.

A favor: Símbolo histórico da luta antirracista; Mais de 40 anos de vida pública; Respeito nos movimentos negro e de mulheres. O que pesa: 84 anos de idade; A saída do ministério em 2004. Ficha completa →

Quem estreia

Fazenda: Rafael Fonteles

O matemático do IMPA que projetou a vitória de Lula antes de 2% das urnas apuradas.

Formado em matemática pela Universidade Federal do Piauí e mestre em Economia Matemática pelo IMPA, no Rio, Rafael Fonteles virou secretário de Fazenda do Piauí aos 29 anos, nomeado por Wellington Dias. Antes, comentava finanças e investimentos na TV local.

Governador desde 2023, foi reeleito em outubro com 70,9% dos votos, aos 41 anos. Combina rigor fiscal e investimento: o estado arrecadou R$ 1 bilhão com a concessão do saneamento, e o programa Celular Seguro, criado no Piauí, foi adotado pelo governo federal.

A favor: Perfil técnico que fala a língua do mercado; Contas do Piauí em ordem; Jovem, com futuro no PT; Já testou no estado programas que viraram nacionais. O que pesa: Teria de largar o governo do Piauí recém-reeleito; Nunca operou a máquina federal. Ficha completa →

Segurança Pública: Lincoln Gakiya

O promotor jurado de morte pelo PCC, que vive sob escolta há anos.

Promotor do Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya atua no Gaeco de Presidente Prudente, no oeste paulista, e passou mais de duas décadas investigando o PCC por dentro: as finanças, as lideranças presas e a expansão da facção para o país e o exterior.

Foi dele o pedido que levou Marcola e a cúpula do PCC para presídios federais em 2019. Desde então vive sob escolta permanente, alvo de planos de execução da facção desmontados pela polícia. Virou referência nacional em crime organizado e depôs na CPI do Crime Organizado do Senado em 2025.

A favor: Conhece o crime organizado como poucos no país; Respeitado da esquerda à direita; Sem partido e sem padrinho político; Dá rosto a uma promessa central de Lula. O que pesa: A pasta depende da PEC passar no Senado; Nunca dirigiu uma estrutura federal do tamanho da PF e da PRF. Ficha completa →

Ciência e Tecnologia: João Campos

Aos 32 anos, o político mais jovem da lista e a cara do PSB para o futuro.

Engenheiro civil, filho de Eduardo Campos e bisneto de Miguel Arraes, João Campos foi o deputado federal mais votado de Pernambuco em 2018. Dois anos depois, aos 26, foi eleito prefeito do Recife, e em 2024 se reelegeu com 78% dos votos, uma das maiores votações de capital no país.

Na prefeitura, apostou em serviço digital e em gestão de dados, na cidade do Porto Digital, um dos maiores polos de tecnologia da América Latina. Assumiu a presidência nacional do PSB e deixou a prefeitura para disputar o governo de Pernambuco em 2026, quando perdeu no primeiro turno para Raquel Lyra.

A favor: Jovem e muito popular nas redes; Comanda o PSB, aliado central de Lula; Experiência de gestão numa capital; Ligação com o polo tecnológico do Recife. O que pesa: Vem de derrota em casa, no primeiro turno; Ministério seria vitrine para 2030, e aliados sabem disso. Ficha completa →

Secom: André Janones

O homem que levou a guerra digital da campanha para dentro do Planalto.

Advogado de Ituiutaba (MG), Janones ganhou projeção nas redes durante a greve dos caminhoneiros de 2018 e se elegeu deputado federal naquele ano. Em 2022, chegou a lançar pré-candidatura a presidente, desistiu e virou o principal operador digital da campanha de Lula, famoso por responder o bolsonarismo na mesma linguagem.

Em 2026, criou o canal "Exército do Lula" no WhatsApp, que foi suspenso pelo TSE a pedido de Flávio Bolsonaro, liberado pelo corregedor eleitoral e investigado sem que se achasse fake news. O canal virou peça central da mobilização do segundo turno.

A favor: Milhões de seguidores e alcance real; Sabe disputar narrativa em tempo real; Lealdade comprovada a Lula; Linguagem popular. O que pesa: Estilo agressivo assusta o centro; Investigado por suspeita de rachadinha, fechou acordo com a PGR para encerrar o caso. Ficha completa →

Portos e Aeroportos: Eduardo Paes

Quatro vezes prefeito do Rio, o homem do Porto Maravilha e da briga pelo Galeão.

Eduardo Paes governou o Rio de Janeiro por quatro mandatos (2009–2016 e 2021–2026). Fez a cidade da Olimpíada de 2016, o BRT e o Porto Maravilha, que reabriu a zona portuária com o Boulevard Olímpico, o VLT e o Museu do Amanhã.

Em 2023, comprou briga com as companhias aéreas para limitar o Santos Dumont e salvar o Galeão, que estava esvaziado. Venceu. Neste ano, deixou a prefeitura para disputar o governo do estado e somou mais de 3,7 milhões de votos, mas a anulação dos votos de Garotinho pelo TSE deu a vitória a Douglas Ruas no primeiro turno e Paes abriu mão da disputa.

A favor: Gestor de obra grande, com entrega visível; Conhece aeroporto e porto na prática; Traz o PSD para o centro do governo; Muito voto no Rio. O que pesa: Sem mandato a partir de 2027; PSD tem outros nomes na fila por cargos. Ficha completa →

Turismo: Soraya Thronicke

Eleita na onda de 2018, rompeu com Bolsonaro e virou aliada de Lula.

Advogada, Soraya chegou ao Senado em 2019 eleita pelo antigo PSL, na onda bolsonarista. Rompeu com Jair Bolsonaro ainda no primeiro mandato e, em 2022, disputou a Presidência pelo União Brasil, quando ficou conhecida pelos embates nos debates. No segundo turno, apoiou Lula.

Trocou de partido, foi para o PSB, e em 2026 disputou a reeleição ao Senado com apoio do presidente. Desde agosto, a imprensa já dava como provável a ida dela para um ministério num eventual quarto mandato.

A favor: Prova de que dá para atrair quem saiu do bolsonarismo; Boa de debate e de televisão; Conhece o turismo de natureza do Centro-Oeste. O que pesa: Nunca teve cargo no Executivo; Parte do PT desconfia da origem bolsonarista. Ficha completa →

STF: Simone Tebet

De terceira colocada em 2022 a ministra de Lula. Agora, a aposta para o Supremo.

Advogada, mestre em Direito pela PUC-SP e professora universitária, Simone Tebet foi prefeita de Três Lagoas e senadora pelo Mato Grosso do Sul. Foi a primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça do Senado e um dos destaques da CPI da Covid.

Em 2022, ficou em terceiro na eleição para presidente, com 4,9 milhões de votos, e apoiou Lula no segundo turno. Virou ministra do Planejamento. Em 2026, já no PSB, disputou o Senado por São Paulo e não se elegeu.

A favor: Formação jurídica e experiência na CCJ; Trânsito no Senado, que aprova o nome; Seria mais uma mulher no Supremo. O que pesa: Nunca foi juíza; Concorre com Pacheco e com outras opções para ela mesma. Ficha completa →

ESPECIAL INTERATIVOVeja a Esplanada acesa, a trajetória de cada um e diga se aprova ou não o nome →

Esta matéria será atualizada conforme o presidente anunciar os ministros.

Leia também: Lula é reeleito presidente da República · Resultados 2026.

Com informações de NSC Total, Brasil 247, Band, CNN Brasil, Poder360, Metrópoles, IstoÉ, Diário de Pernambuco, Notícias ao Minuto e TSE. Fontes: NSC Total, Brasil 247.