Flávio Bolsonaro retirou a expressão "presidente eleito" de uma carta divulgada nos Estados Unidos após enfrentar pressões de integrantes de sua defesa jurídica e dirigentes do PL. A mudança ocorreu nesta quinta-feira (29), dias após divulgar uma versão inicial do documento em que se autoproclamava "verdadeiro presidente eleito do Brasil", mesmo após perder para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por aproximadamente 4,4 milhões de votos.

De acordo com reportagem de O Globo, pessoas que participaram da campanha presidencial de Flávio o alertaram sobre os riscos legais de se apresentar como vencedor da disputa. A recomendação era para que a declaração fosse corrigida a fim de evitar possíveis processos e o agravamento da crise dentro do partido.

Pressão da cúpula do PL

A direção nacional do PL manifestou desconforto com a publicação inicial. Valdemar Costa Neto, presidente nacional da legenda, afirmou publicamente sua insatisfação nesta quinta-feira, antes de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro em Brasília. Após o encontro com duração aproximada de duas horas, reforçou as críticas, dizendo que "ninguém aprova isso".

Rogério Marinho, senador do PL-RN que coordenou a campanha presidencial de Flávio, também contestou a declaração. Na quarta-feira (28), atribuiu a autoproclamação a um "erro de confecção" do documento e reconheceu que não existem provas de fraude eleitoral. "O PL não pode fazer essa afirmação, porque não há prova nesse sentido", declarou Marinho.

Explicações sobre o erro

O influenciador Paulo Figueiredo, que acompanha Flávio nos Estados Unidos, ofereceu outra explicação para a circulação das versões diferentes do documento. Afirmou que um erro no uso de inteligência artificial teria provocado a publicação de uma versão anterior, na qual o senador se apresentava como presidente eleito. Segundo Figueiredo, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro teria utilizado o ChatGPT para acrescentar o brasão da República ao documento, o que levou à inclusão acidental de um texto antigo.

Apesar da exclusão da expressão, a carta mantém acusações contra o processo eleitoral sem apresentação de provas e questiona a legitimidade da vitória de Lula, que derrotou Flávio no segundo turno realizado no domingo (25). No documento, o senador também agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei, pelo acolhimento após sua saída do Brasil. Flávio desembarcou em Miami após deixar o território brasileiro e anunciou a intenção de comandar a oposição ao governo Lula a partir do exterior.