O presidente da China, Xi Jinping, partiu de Pequim na quarta-feira (23) para uma visita de Estado aos Estados Unidos, a convite do presidente Donald Trump. A viagem é a primeira de Xi ao país em 11 anos e ocorre menos de seis meses após Trump ter sido recebido na China, em maio, quando os dois líderes concordaram em fortalecer a relação bilateral com base em cooperação e estabilidade estratégica.

Oportunidade para diálogo e desafios

Em editorial, o jornal chinês Global Times avalia que a viagem abre uma etapa para ampliar o diálogo sobre comércio e segurança entre as duas maiores economias do mundo. O principal desafio, segundo o texto, é transformar o entendimento entre os presidentes em medidas concretas dos órgãos dos dois governos. A coordenação entre as equipes seria necessária para reduzir a desconfiança e dar mais previsibilidade às relações bilaterais.

Desde o encontro de maio, representantes chineses e americanos discutiram a implementação de acordos anteriores, o estímulo ao comércio e aos investimentos e os preparativos de um conselho comercial. As Forças Armadas dos dois países também se reuniram para tratar de segurança marítima e aérea, além de contatos nas áreas de combate às drogas, aplicação da lei, intercâmbios empresariais e acadêmicos.

Limites claros e linhas vermelhas

Apesar dos avanços, o editorial ressalta que Pequim mantém limites claros para a relação. O texto lista quatro temas considerados linhas vermelhas: Taiwan, democracia e direitos humanos, o modelo político do país e seu direito ao desenvolvimento. Em relação a Taiwan, o jornal defende que os EUA respeitem o princípio de Uma Só China e os três comunicados conjuntos firmados pelos dois países.

O Global Times aponta economia, comércio e inteligência artificial como áreas em que a cooperação pode crescer. Ao mesmo tempo, argumenta que divergências específicas não deveriam interromper os canais de comunicação entre Pequim e Washington. Uma relação mais estável entre as duas nações, segundo o editorial, também teria efeitos além do âmbito bilateral, ao facilitar a resposta a crises regionais e desafios de governança global.

O texto conclui com a expectativa de que o encontro entre Xi e Trump produza novos passos para administrar diferenças e aprofundar a cooperação mútua, em um contexto de tensões persistentes, especialmente no que diz respeito a Taiwan.