O jornalista e escritor Zuenir Ventura, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família.

Nascido em 1931, em Além Paraíba (MG), Zuenir mudou-se ainda criança para Nova Friburgo (RJ) e, aos 20 anos, foi para a capital fluminense cursar Letras na então Universidade do Brasil, hoje UFRJ. Na faculdade, teve como professores nomes como Manuel Bandeira e Cleonice Berardinelli.

Carreira no jornalismo e na literatura

Iniciou a trajetória profissional como arquivista no jornal Tribuna da Imprensa e, por acaso, tornou-se repórter em 1960, ao se voluntariar para escrever sobre a morte de Albert Camus. Passou por veículos como Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ, Jornal do Brasil e O Globo, onde foi colunista.

Ficou conhecido por obras como '1968 - O ano que não terminou' (1988), que inspirou a minissérie 'Os anos rebeldes', e 'Cidade partida' (1994), premiada com o Jabuti. Também escreveu sobre o assassinato de Chico Mendes, em livro lançado após série vencedora dos prêmios Esso e Vladimir Herzog.

Preso por três meses após o AI-5 em 1968, Zuenir também atuou como professor da UFRJ e da Escola Superior de Desenho Industrial, onde ficou conhecido como 'Mestre Zu'.

Legado e reconhecimento

Em 2014, foi eleito para a ABL, ocupando a cadeira de Ariano Suassuna. Em 2022, recebeu o prêmio Faz Diferença pelo livro 'Minhas histórias dos outros'. Deixa a esposa Mary, e os filhos Mauro, jornalista, e Elisa, editora.