Os preços do petróleo fecharam em queda nesta terça-feira (22) no mercado internacional, pressionados pelo aumento da oferta da Arábia Saudita após a retomada do oleoduto Leste-Oeste e pela maior circulação de navios pelo Estreito de Ormuz, rota que já respondeu por um quinto do abastecimento global antes do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciado no fim de fevereiro.
O contrato do Brent, referência mundial, recuou 1,09%, fechando em US$ 99,25 por barril, enquanto o WTI, usado nos Estados Unidos, caiu 1,24%, para US$ 94,99. Durante o pregão, as duas cotações chegaram a perder mais de US$ 2, mas devolveram parte das perdas após declarações do presidente americano, Donald Trump.
Esperanças de acordo frustradas
Trump afirmou que um acordo de paz com o Irã só será fechado após as eleições de meio de mandato nos EUA, marcadas para o início de novembro, e que, na ausência de um pacto, poderia “aniquilar” o país persa. A fala derrubou o otimismo de investidores que apostavam em um avanço diplomático durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, onde Trump deve se encontrar com líderes mundiais ainda nesta semana.
A recuperação parcial dos preços também refletiu a desconfiança sobre uma trégua no Oriente Médio, com o mercado ainda atento ao risco de interrupção do fornecimento.
Oferta saudita e sinal do Irã
Dados de rastreamento por satélite mostraram que o fluxo de petróleo saudita pelo Estreito de Ormuz subiu para cerca de 2,9 milhões de barris por dia nos últimos seis dias, ante 700 mil barris diários em agosto. A Aramco, estatal saudita, carregou aproximadamente 14 milhões de barris em sete superpetroleiros após ataques houthis ao oleoduto Leste-Oeste terem forçado a suspensão dos embarques em Yanbu.
Três fontes afirmaram que a Arábia Saudita retomou as operações do oleoduto e pode voltar a exportar pelo porto de Yanbu ainda nesta terça-feira. Paralelamente, uma alta autoridade iraniana disse à Reuters que o Irã pode reabrir o Estreito de Ormuz em até sete dias, caso os EUA reduzam a pressão militar e suspendam o bloqueio aos portos iranianos. A mesma fonte afirmou que a delegação iraniana na ONU tem plena autoridade para negociar com Washington.
A combinação de maior oferta saudita e sinais de flexibilização iraniana contribuiu para o alívio nos preços, mas o tom de Trump sobre as eleições americanas deixou o mercado em alerta para novos capítulos da crise.







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