O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, criticou nesta quarta-feira (23) a capacidade de fiscalização e regulação do Banco Central (BC) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A declaração foi feita durante a J. Safra Investment Conference, em São Paulo, ao comentar as irregularidades investigadas no caso do Banco Master.

Segundo Mercadante, os dois principais órgãos responsáveis pela supervisão do sistema financeiro e do mercado de capitais precisam ser fortalecidos. Ele afirmou que a fiscalização e a regulação estão muito fragilizadas, conforme relato do evento. A conferência, promovida pelo Banco Safra, ocorreu nos dias 22 e 23 de setembro e reuniu investidores, empresários, gestores e autoridades para discutir crédito, política monetária, economia e desafios estruturais do país.

Crime financeiro de grande escala

Ao abordar especificamente o Banco Master, Mercadante classificou o caso como um crime financeiro de grande escala. A instituição, comandada por Daniel Vorcaro, é alvo de investigações da Polícia Federal, que apontam suspeitas de operações e ativos negociados de forma irregular. Reportagens recentes indicaram inconsistências em carteiras de crédito negociadas com o Banco de Brasília (BRB), enquanto as defesas dos investigados contestam as acusações de fraude.

Para Mercadante, episódios dessa dimensão mostram a necessidade de ampliar a capacidade operacional das instituições encarregadas da fiscalização. Ele defendeu que os reguladores tenham condições mais robustas para antecipar riscos e acompanhar transações em tempo real, diante do crescimento e da sofisticação das operações financeiras.

Fortalecimento dos reguladores

A crítica não foi apresentada como defesa da redução da autonomia dos órgãos reguladores. Pelo contrário, Mercadante argumentou que é preciso dotá-los de mais recursos tecnológicos, quadros técnicos especializados e instrumentos de supervisão. A discussão ocorre em um momento em que a CVM enfrenta questionamentos sobre sua estrutura.

A autarquia acumula cerca de 1.070 processos, dos quais aproximadamente 160 estavam prontos para julgamento. O tempo médio entre os fatos investigados e uma decisão em primeira instância supera quatro anos. O presidente da CVM, Otto Lobo, anunciou como prioridade o uso de inteligência artificial para identificar operações suspeitas e acelerar a análise dos processos.

O caso Master também colocou a atuação da CVM sob escrutínio. Mensagens obtidas pela Polícia Federal e divulgadas pela imprensa sugerem que Vorcaro teria afirmado que atuaria politicamente para manter Lobo no comando da autarquia. Lobo nega ter solicitado apoio ao banqueiro ou possuir vínculos com ele.

Na avaliação de Mercadante, o caso Master serve como alerta para reduzir o risco de novas fraudes de grande escala e proteger a estabilidade do sistema financeiro brasileiro.