247 – O trabalho de rastreamento do patrimônio ligado a Daniel Vorcaro está encontrando mais recursos do que inicialmente se esperava e começa a alcançar ativos mantidos no exterior. Segundo informações da jornalista Miriam Leitão, em sua coluna no jornal O Globo, um fundo com ativos avaliados na casa dos bilhões de reais foi localizado e congelado, abrindo caminho para que os recursos sejam incorporados ao processo de liquidação do Banco Master e utilizados no pagamento de credores.
Empresas especializadas foram contratadas para seguir o caminho do dinheiro e localizar bens e investimentos ligados ao ex-banqueiro. Segundo a coluna, parte dos recursos chegou ao fundo por meio de diferentes intermediários. O avanço reforça uma frente que já vinha sendo conduzida pelo liquidante do Master também nos Estados Unidos, onde foram solicitados dados a bancos e empresas para rastrear contas, imóveis, veículos, obras de arte e joias relacionados a Vorcaro e a seu círculo empresarial.
De acordo com Miriam Leitão, pessoas que acompanham a liquidação estimam que já tenham sido identificados ativos no Brasil e no exterior equivalentes a aproximadamente 60% do passivo. O percentual é uma estimativa relatada pela colunista e não um balanço oficial definitivo da liquidação.
Dinheiro será destinado aos credores
A recuperação patrimonial é considerada decisiva porque o Banco Master já foi liquidado e não existe, segundo a análise da colunista, perspectiva de reversão desse processo. O foco agora está na localização dos recursos e na definição de sua destinação aos credores.
Segundo Miriam Leitão, os valores recuperados deverão atender inicialmente às obrigações trabalhistas. Na sequência aparece o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assumiu parte das perdas dos investidores do Master, e posteriormente outros credores e investidores, entre eles fundos de pensão.
O cerco aos ativos vem se ampliando. Na Justiça de São Paulo, o liquidante conseguiu manter uma medida destinada a dificultar a alienação de ativos de três fundos administrados pela CBSF DTVM, antiga Reag. Astralo 95, Anna FIC FIDC NP e RR FIDC NP somam R$ 38,2 bilhões em ativos, embora isso não signifique que todo esse patrimônio pertença ao Master ou possa ser recuperado para seus credores.
No exterior, o liquidante também busca informações sobre movimentações relacionadas a Vorcaro, familiares, antigos sócios e empresas do chamado ecossistema Master. Entre os alvos das diligências estão estruturas nas Ilhas Cayman e nos Estados Unidos.
Disputa no STF
Enquanto a liquidação avança na esfera financeira, o caso Master provoca uma disputa institucional no Supremo Tribunal Federal. Investigações e reportagens recentes revelaram relações de Vorcaro com integrantes da Corte e seus familiares, produzindo questionamentos sobre potenciais conflitos de interesse. Os ministros citados têm apresentado diferentes explicações e, quando questionados, negado irregularidades.
Na avaliação apresentada por Miriam Leitão, essa confusão institucional abre espaço para a estratégia jurídica de Vorcaro. A defesa do ex-banqueiro busca o relaxamento de sua prisão e pode apresentar novos questionamentos sobre a validade do processo.
A colunista avalia que Vorcaro aposta tanto nas divergências dentro do STF quanto em uma eventual mudança do cenário político para tentar melhorar sua situação judicial. Essa é uma interpretação atribuída à jornalista; os desdobramentos dependem das decisões judiciais e das investigações em curso.
Patrimônio no exterior entra no radar
A localização de ativos fora do Brasil representa uma mudança importante no processo de recuperação patrimonial. O liquidante já solicitou nos Estados Unidos informações a instituições como Bradesco, Safra National Bank, Royal Business Bank e Northern Trust, além de empresas dos setores imobiliário e de bens de luxo.
Entre as estruturas investigadas está a Titan Capital, holding criada por Vorcaro nas Ilhas Cayman e apontada nas investigações como possível destino de recursos transferidos pelo Master antes de sua liquidação. A Justiça das Ilhas Cayman determinou a liquidação da empresa. Investigações citadas pelo liquidante apontam que a Titan recebeu mais de R$ 700 milhões do Master entre janeiro e julho de 2025.
A recuperação desses recursos representa um desafio adicional para Vorcaro. Segundo a coluna de Miriam Leitão, ativos que o ex-banqueiro considerava difíceis de alcançar começam a aparecer, enquanto pessoas e empresas utilizadas nas estruturas patrimoniais passam a participar diretamente das disputas judiciais no exterior.
O avanço da liquidação indica que, independentemente das disputas políticas e judiciais em torno do caso Master, uma frente concreta segue avançando: localizar o patrimônio, congelar os recursos passíveis de recuperação e direcioná-los aos credores da instituição.






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