Os relatos de 11 ex-alunas do Colégio São José, em Apucarana, descrevem um padrão de abuso que teria se estendido entre 2012 e 2019. Segundo os depoimentos, o professor João Baptista Domingos Junior, conhecido como "Professor PIG", ultrapassou todos os limites da ética e da autoridade escolar. O que começou com cantadas constrangedoras e comentários inapropriados em sala de aula evoluiu para casos mais graves, ocorridos fora do ambiente escolar — inclusive em motéis da cidade. Foi parar até no fantástico da rede globo mas, caiu no esquecimento.
O muro de silêncio começou a ruir em 28 de maio de 2020, quando as jovens, encorajadas umas pelas outras, levaram suas histórias à Delegacia da Mulher de Apucarana. Ali começou uma luta que, cinco anos depois, ainda não chegou ao fim.
2020: A Resposta Rápida que Deu Esperança
Nos primeiros meses de 2020, tudo indicava que a Justiça seria célere.
- 29 de maio: o professor nega as acusações publicamente.
- 02 de junho: a Justiça rejeita o pedido de liminar do réu para remover as denúncias da internet.
- 06 de julho: o Colégio São José afasta o docente.
- Meados de julho: a Comissão de Direitos da Criança, Adolescente e Idoso da Assembleia Legislativa do Paraná, presidida pelo deputado Cobra Repórter, solicita apuração rigorosa.
- 12 de julho: o caso ganha repercussão nacional após reportagem do Fantástico.
- 14 de julho: o professor é formalmente indiciado por assédio sexual, violência sexual e abuso de adolescentes.
- Final de julho: o Ministério Público do Paraná aceita a denúncia, e o caso segue para a 2ª Vara Criminal de Apucarana.
Tudo parecia caminhar para um desfecho justo. Mas o que prometia ser uma resposta exemplar à violência virou um labirinto judicial sem saída.
O Labirinto da Morosidade: Cinco Anos Sem Julgamento
Desde o indiciamento, nenhuma audiência de julgamento foi marcada. O réu segue em liberdade. O processo, que deveria ter avançado com a força das provas e da opinião pública, estagnou sem explicações claras.
A pergunta que ecoa é simples, mas incômoda: como um caso com 11 vítimas, ampla cobertura da mídia e forte evidência pode ficar parado por tanto tempo?
A Sombra da Política: Redes de Influência e Proteção
Nos bastidores de Apucarana, a resposta pode estar na política.
O acusado é irmão do vereador Moisés Tavares Domingos (PP), líder do prefeito Rodolfo Mota (União) na Câmara. Mota, por sua vez, é aliado do senador Sérgio Moro (União), figura influente no estado.
Essa teia de conexões levanta suspeitas sobre interferência e blindagem política. Especialistas ouvidos sob anonimato afirmam que a proximidade do réu com lideranças locais cria um "escudo informal", capaz de retardar o andamento do processo.
A lentidão, nesse contexto, não parece mero acaso — mas um sintoma de influência e poder sobre a Justiça local.
O Custo Humano: A Dor que o Tempo Amplifica
Enquanto o processo emperra, as vítimas revivem a dor todos os dias.
A espera se tornou uma segunda violência.
"Elas tiveram suas vidas marcadas. A demora judicial é uma tortura, é como se a Justiça dissesse que a dor delas não importa", desabafa uma familiar, pedindo anonimato.
O que antes foi esperança agora se transformou em descrença nas instituições. Para elas, o recado é claro: a Justiça no Brasil parece ter lado — e não é o das vítimas.
Lei Felca: O Outro Lado da Mesma Moeda
No mesmo município onde o caso se arrasta, foi aprovada a Lei Felca (Projeto de Lei nº 106/2025), que cria um protocolo de proteção de crianças e adolescentes contra adultização, exploração sexual e sensualização nas redes sociais.
Inspirada nas denúncias feitas pelo influenciador Felca, a lei ganhou apoio popular por tratar da exposição indevida de menores na internet.
Mas a conexão com o caso do Professor PIG é inevitável: ambos revelam a vulnerabilidade das crianças e adolescentes diante de um sistema que falha em protegê-los. Seja no ambiente escolar ou digital, a negligência institucional e o peso das alianças políticas continuam a colocar vítimas em segundo plano.
O Teste da Justiça
O caso do "Professor PIG" é mais do que um processo parado — é um teste para as instituições democráticas. Ele mostra como a influência política pode deformar o curso da Justiça e perpetuar a impunidade, mesmo diante de provas e comoção pública.
Enquanto o julgamento não acontece, a cidade carrega uma ferida aberta.
E a pergunta continua ecoando em Apucarana:
quem protege quem — as vítimas ou os poderosos?
Fontes:
https://g1.globo.com/fantastico/video/jovens-usam-redes-sociais-para-denunciar-abusos-de-professores-dentro-da-sala-de-aula-8692761.ghtml
https://g1.globo.com/google/amp/pr/norte-noroeste/noticia/2020/07/30/justica-aceita-denuncia-e-professor-vira-reu-por-assedio-sexual-contra-alunas-em-apucarana.ghtml?UTM_SOURCE=whatsapp&UTM_MEDIUM=share-bar-app&UTM_CAMPAIGN=materias
https://bandnewsfmcuritiba.com/professor-e-indiciado-por-assedio-sexual-contra-alunas-em-apucarana/
https://cgn.inf.br/noticia/198405/professor-de-apucarana-vira-reu-por-assedio-sexual-contra-alunas
https://tnonline.uol.com.br/noticias/apucarana/exposedapucarana-professor-de-fisica-divulga-nota-de-repudio-462959





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