247 – A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou nesta quarta-feira (2) que trabalha para restabelecer as exportações brasileiras de carne bovina à União Europeia. Em nota oficial, a entidade informou que acompanha as negociações conduzidas pelo governo e presta suporte técnico ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

A manifestação ocorre após o Brasil ficar fora da lista de fornecedores considerados em conformidade com as novas exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos. A interrupção das importações entra em vigor na quinta-feira (3).

A Abiec declarou que “vê com preocupação a interrupção das exportações brasileiras de carne bovina para a União Europeia”. Segundo a associação, os esforços estão concentrados na reinclusão do país entre os exportadores autorizados pelo bloco.

A entidade sustenta que as garantias oficiais do Mapa já foram apresentadas às autoridades europeias. As tratativas ocorrem em âmbito governamental, enquanto a indústria fornece informações técnicas destinadas a demonstrar o cumprimento das regras.

A associação também informou que todas as suas empresas associadas habilitadas a exportar para a União Europeia aderiram ao protocolo privado de controle do uso de antimicrobianos. O procedimento está em processo de implementação na cadeia produtiva.

O protocolo foi desenvolvido pela Abiec, pela Associação Brasileira das Certificadoras por Auditoria e Rastreabilidade (Abcar) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A iniciativa integra as garantias apresentadas pelo Brasil para atender à regulamentação europeia.

Segundo a Abiec, a exigência não altera a qualidade, a segurança ou a condição sanitária da carne bovina brasileira. A entidade classificou a medida como um requisito regulatório imposto pelo bloco aos países fornecedores.

A associação ressaltou que a carne brasileira continuará sendo comercializada nos demais mercados para os quais estiver habilitada. A interrupção, porém, não permite uma transferência automática dos produtos destinados à União Europeia porque cada país demanda tipos e cortes específicos.

A Abiec considera o mercado europeu estratégico devido ao valor agregado e ao perfil dos produtos comercializados. Por isso, a entidade estabeleceu como prioridade apoiar as negociações para recuperar o acesso, preservar a diversificação dos destinos e manter a competitividade internacional do setor.

O que motivou a suspensão

A União Europeia retirou o Brasil da lista autorizada para bovinos, equinos, aves, aquicultura, mel e tripas. O Regulamento de Execução 2026/1189 afirma que a Comissão Europeia não recebeu garantias suficientes sobre a implementação das medidas exigidas até 3 de setembro.

As normas proíbem o uso de antimicrobianos para estimular o crescimento ou aumentar o rendimento dos animais destinados ao mercado europeu. Também vedam substâncias reservadas no bloco ao tratamento de determinadas infecções em seres humanos.

A suspensão não foi provocada pela detecção de contaminação ou irregularidade em uma carga brasileira. O impasse está relacionado ao reconhecimento do sistema de fiscalização e certificação apresentado pelo país.

O Mapa afirma ter encaminhado documentação sobre fiscalização, rastreabilidade, monitoramento e certificação nas cadeias abrangidas. Em nota divulgada em julho, o ministério informou que mantinha negociações técnicas com as autoridades europeias.

Em 2025, a União Europeia importou 128,9 mil toneladas de carne bovina brasileira, que geraram receita de US$ 1,06 bilhão. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento compilados pela Abiec, o volume cresceu 132,8% em relação a 2024.