Londrina vive hoje um dos espetáculos mais lamentáveis de sua política recente. A chamada "causa animal", que conquistou legitimamente espaço e representatividade no Legislativo municipal, transformou-se num ringue de vaidades, egos inflados e disputas tão ridículas quanto vergonhosas.

Sim, os animais, que não votam, têm hoje mais defensores na Câmara de Londrina do que crianças sem creche, famílias abandonadas na saúde pública e cidadãos que enfrentam diariamente a insegurança nas ruas. Nada contra defender os animais, é, sem dúvida, uma pauta nobre, justa e necessária. O problema é quando essa defesa escorrega do campo das políticas públicas e cai direto no terreno do circo político, da autopromoção e do uso indecente das estruturas públicas como armas de guerra pessoal.

De um lado, Ane da Ada. De outro, Deivid Wisley, o campeão de votos na história da cidade, um fenômeno eleitoral com pretensões declaradas de escalar para voos maiores, mirando Brasília ou Curitiba. O que deveria ser uma união em prol dos animais virou uma disputa bélica que já arrasta Ministério Público, CMTU, Polícia Civil e toda a máquina pública para dentro de uma batalha absolutamente infantil, mesquinha e improdutiva.

O festival de denúncias, dossiês, vídeos vazados, acusações de maus-tratos, ameaças veladas e chantagens explícitas virou pauta permanente na imprensa e nas rodas de conversa da cidade.
E o que sobra para os animais? Muito pouco. O que sobra para a cidade? Menos ainda.
A briga tomou proporções tão grotescas que a causa virou palco de exposição de fraquezas emocionais, falta de preparo, despreparo jurídico e uma total ausência de compromisso com o que realmente importa: políticas públicas estruturadas, eficientes e que façam diferença na vida das pessoas e dos animais.

Enquanto isso, as filas nas UPAs continuam crescendo.
Crianças seguem sem vagas em creches.
A segurança pública, que não é competência direta do município, mas que poderia ser alvo de políticas integradas de prevenção, permanece esquecida.

A Câmara Municipal de Londrina, que deveria ser a casa do debate público, virou palco de fofoca, intriga e baixarias dignas de reality show barato.
E quem paga essa conta? Eu, Você, cidadão londrinense.
Você que vê seu imposto financiando essa briga patética enquanto sua vida segue ignorada por quem deveria te representar.

Pior que isso, só a certeza de que esses mesmos personagens, hoje reféns de suas próprias imaturidades, já ensaiam seus discursos para as próximas eleições.
Porque, no fim, a guerra não é pelos animais, não é pela cidade, não é por você. A guerra é pelo voto. Pelo holofote. Pelo poder.

Que sirva de lição:
representatividade sem preparo, sem projeto, sem maturidade política, não resolve nada. Só troca o problema de lugar.

E Londrina, mais uma vez, é quem perde.