O El Niño atual pode causar 13,3 mil mortes no Brasil por causa de dias de calor extremo. A estimativa é do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago, divulgada nesta quarta-feira (23). A projeção considera o período de setembro de 2026 a fevereiro de 2027, quando o fenômeno climático deve atingir sua intensidade máxima.

Globalmente, o El Niño pode provocar 451 mil mortes em decorrência do calor excessivo. O Brasil fica em quinto lugar entre os países mais impactados pelos danos à saúde associados às altas temperaturas, atrás de Nigéria (31,4 mil mortes estimadas), Indonésia (19,3 mil), Sudão (17,5 mil) e Índia (15,8 mil). A margem de erro da projeção brasileira é de 700 óbitos, para mais ou para menos.

A maioria dos danos por calor excessivo ocorrerá no chamado Sul Global. Metade das mortes previstas (49%) está concentrada em apenas 50 países. O continente africano teria 130,2 mil óbitos (59% do total), a Ásia 62,2 mil (28%) e a América Latina 24,2 mil (11%). Entre os países desenvolvidos, apenas Estados Unidos, com 3.500 mortes, e Itália, com 780, aparecem na lista dos mais impactados.

Adaptação e perspectivas futuras

Michael Greenstone, cofundador do laboratório, afirma que o número elevado de mortes projetadas é composto por "pais e filhos, avós e vizinhos, pessoas que trabalham, cuidam de suas famílias e vivem suas vidas". O relatório classifica este El Niño como um "cartão-postal do nosso futuro", já que as temperaturas enfrentadas nos próximos meses podem se tornar normais em poucas décadas devido à mudança climática.

Os efeitos do fenômeno climático não se limitam às mortes por calor. Podem incluir secas, incêndios florestais e inundações. A Organização Meteorológica Mundial e a agência climática dos Estados Unidos estimam que este El Niño pode se tornar o mais intenso já registrado. Entre as medidas de adaptação recomendadas estão sistemas de alerta precoce, mapeamento e visitas às populações vulneráveis, centros de resfriamento e proteção para trabalhadores ao ar livre.