O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reiterou nesta quinta-feira (24), em Nova York, o suporte do Brasil à Agência das Nações Unidas de Assistência e Obras para os Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA). Durante sua participação, o ministro ressaltou a severa crise humanitária na Faixa de Gaza, mencionando a perda de mais de 390 funcionários da UNRWA e as iniciativas que visam enfraquecer a atuação da agência.
Conforme informado pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), Vieira co-presidiu uma reunião ministerial focada no apoio político e financeiro à UNRWA, evento que ocorreu durante a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas e teve a confirmação da ONU. O Brasil, em conjunto com Espanha e Jordânia, organizou o encontro, que contou com a presença do secretário-geral da ONU, António Guterres, e do presidente da 81ª sessão da Assembleia Geral, Khalilur Rahman.
Situação Humanitária e Esforços da UNRWA
O objetivo principal da reunião foi mobilizar apoio internacional para a UNRWA, garantindo as condições necessárias para que a agência continue cumprindo seu mandato, que atende cerca de 6 milhões de refugiados palestinos em diversas regiões, incluindo Gaza, Cisjordânia e Jordânia. Em sua fala, o ministro Vieira enfatizou que a situação humanitária em Gaza permanece precária, com aproximadamente 2 milhões de pessoas enfrentando deslocamento, falta de moradia, restrições a serviços básicos e insegurança, um ano após o anúncio do Plano Abrangente para Pôr Fim ao Conflito.
Vieira também chamou atenção para a deterioração das condições na Cisjordânia, onde dinâmicas observadas no território palestino nos últimos três anos, como o deslocamento forçado e a destruição de infraestrutura civil, estão se manifestando. Além disso, o chanceler lembrou a morte de mais de 390 funcionários da UNRWA, prestando assistência aos refugiados, um número que já havia sido destacado por líderes da própria agência.
Apoio Internacional e Papel do Brasil
O ministro condenou as iniciativas que, segundo o governo brasileiro, buscam comprometer a legitimidade e a capacidade de atuação da UNRWA, como campanhas de desinformação e difamação. Brasil, Espanha e Jordânia defenderam a continuidade da agência, que foi criada pela Resolução 302 da ONU em 1949 e iniciou suas operações em 1950, oferecendo serviços de educação, saúde, proteção e assistência humanitária.
António Guterres, secretário-geral da ONU, agradeceu aos organizadores da reunião e solicitou apoio político e financeiro dos países-membros para a UNRWA, que enfrenta um déficit de US$ 100 milhões, ameaçando seus serviços para milhões de refugiados. Guterres destacou que o mandato da UNRWA foi renovado por mais três anos em dezembro, e é fundamental garantir os recursos e condições operacionais para a agência.
O Brasil tem um histórico de participação na Comissão Consultiva da UNRWA e já havia anunciado que assumiria uma das vice-presidências em julho de 2024 e a presidência em julho de 2025. O país mantém seu posicionamento contra medidas que dificultem as operações da UNRWA, sublinhando a importância de seus trabalhos nas áreas de educação, saúde e assistência humanitária. A reunião ministerial buscou concentrar o apoio internacional à continuidade da assistência aos refugiados palestinos, diante dos desafios financeiros e operacionais que a agência enfrenta e das condições da população em Gaza e outras áreas atendidas.







Comentários
Seja o primeiro a comentar.