O presidente polonês Karol Nawrocki afirmou na quarta-feira (23) na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que a Polônia não busca um conflito com a Rússia, mas acusa Moscou de ameaçar a segurança europeia através de agressão aberta, operações híbridas e atos de sabotagem. Durante o discurso, ele ressaltou que seu país reforça alianças e moderniza as Forças Armadas para prevenir um confronto.

Nawrocki argumentou que a história ensinou à Polônia que a liberdade e soberania não podem ser defendidas sozinhas. Acusou a Rússia de manter uma visão "imperialista e neocolonialista" e de tentar, persistentemente há anos, conquistar países vizinhos e desestabilizar a região, em referência à guerra contra a Ucrânia. "A Rússia está desestabilizando a situação na Europa através de uma agressão aberta, operações híbridas, atos subversivos e de sabotagem", declarou.

A estratégia polonesa segue a linha da Otan, aliança da qual o país faz parte. Nawrocki defende que o fortalecimento da infraestrutura militar no flanco leste e a cooperação com os Estados Unidos funcionam como dissuasão, aumentando a capacidade de defesa para reduzir a possibilidade de um ataque. Em julho, durante a cúpula da Otan em Ancara, ele já havia defendido esse fortalecimento.

Desconfiança e tensão no leste europeu

Moscou há anos critica o avanço da Otan para o leste europeu e argumenta que a aproximação da aliança às suas fronteiras representa uma ameaça à segurança nacional. A Otan rejeita essa interpretação e sustenta que cada país tem direito de escolher livremente suas alianças. O discurso de Nawrocki deixa evidente o nível de desconfiança entre os dois lados, com Varsóvia tratando as ações russas como uma ameaça direta à ordem europeia.

Durante sua passagem por Nova York, Nawrocki também manifestou apoio a um acordo firmado entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia para reforçar a segurança no Ártico. O pacto estabelece que países de fora da Otan não poderão instalar bases militares no território e busca limitar a presença estratégica de Rússia e China na região. O presidente polonês ainda comemorou o convite para que a Polônia participe da próxima reunião do G20, organizada pelos Estados Unidos, e tem defendido uma presença permanente do país no grupo.