O presidente Lula afirmou que pretende encerrar as plataformas de apostas no Brasil e que os clubes de futebol precisarão aprender a se administrar sem os recursos das casas de aposta. A declaração foi feita em evento com membros do setor cultural na quarta-feira (23).

De acordo com o presidente, a medida não é uma guerra, mas uma decisão. Ele mencionou a lei da SAF (Sociedade Anônima de Futebol), que permite aos clubes migrarem do modelo associativo para uma estrutura empresarial, afirmando que os times devem se tornar empresas independentes dos recursos das apostas.

Lula tem intensificado sua campanha contra as empresas de apostas, apontando que elas prejudicam a renda das famílias brasileiras e afetam principalmente os torcedores mais pobres. Segundo estudo do Comsefaz com o Cicef, em 2025 as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets. No mesmo período, as casas de apostas geraram R$ 1,03 bilhão dos R$ 3,069 bilhões arrecadados com patrocínio pelos 20 clubes da elite do Campeonato Brasileiro.

Obstáculos e cenários

O governo estuda desde restrições à publicidade até uma eventual proibição total das apostas de quota fixa. Auxiliares do presidente indicam que uma medida contra essas empresas é iminente, embora reconheçam desafios para a implementação.

Entre as dificuldades está o impacto nas contas públicas e a insegurança jurídica da decisão. As plataformas legalizadas pagaram R$ 30 milhões ao governo federal para funcionar por cinco anos, o que poderia gerar batalhas judiciais e pedidos de indenização em caso de proibição. Também há preocupação em garantir a indisponibilidade total dos serviços no Brasil, evitando operações na ilegalidade.