O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu pessoalmente o presidente da China, Xi Jinping, na pista da Joint Base Andrews, em Maryland, no início da visita de três dias do líder chinês ao país. O gesto, considerado incomum, foge do protocolo adotado em recepções recentes a presidentes chineses em solo americano.

Segundo o analista geopolítico Mario Nawfal, que publicou o relato na rede social X, Trump e a primeira-dama Melania Trump aguardaram Xi e sua esposa, Peng Liyuan, ao pé da escada da aeronave. Um tapete vermelho foi estendido pela pista, enquanto seis caças F-16 e seis F-22 estavam posicionados na base militar.

Comparação com a era Kennedy

Nawfal destacou que a última vez que um presidente americano recebeu um líder estrangeiro pessoalmente naquela base foi em 1962, quando John F. Kennedy esperou o primeiro-ministro da Grã-Bretanha. A cena atual lembra as recepções presidenciais do início dos anos 1960, quando Kennedy costumava ir a aeroportos de Washington para saudar visitantes internacionais.

O analista também ressaltou a diferença em relação à visita de Trump à China, em maio. Naquela ocasião, Xi não foi ao aeroporto receber o presidente americano. A visita a Washington inclui três dias de compromissos e um jantar de Estado.

Risco antes das negociações

Nawfal avalia que a recepção não deve ser vista apenas como cerimônia. Para ele, Trump fez uma concessão simbólica relevante antes mesmo do início das conversas bilaterais. “Recebê-lo pessoalmente é um verdadeiro risco, porque Trump gastou sua própria alavancagem antes que as conversas começassem”, escreveu.

Na análise do especialista, a recepção oferece a Pequim imagens de forte peso diplomático sem que haja compromisso concreto nas negociações. “Se ele sair de três dias de pompa sem um único compromisso, Pequim ganhou as fotos de graça”, afirmou Nawfal.

Entre os temas que antecedem o encontro, Nawfal cita o combate ao fentanil. Um alto funcionário americano teria dito que Pequim não tratou o problema com seriedade suficiente. O analista aponta a China como principal origem dos produtos químicos usados por cartéis mexicanos na produção da droga, associando o assunto às mortes por fentanil nos Estados Unidos.

A agenda descrita inclui ainda tarifas comerciais, semicondutores, terras raras e o papel da China nas guerras na Ucrânia e no Irã.