Os governos dos Estados Unidos e da China concordaram em estender por dois meses a trégua na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo, prorrogando o entendimento até 10 de janeiro. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (23) pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, após uma nova rodada de negociações com o vice-premiê chinês He Lifeng, conforme informações divulgadas pela Bloomberg.
A decisão acontece durante a visita de Estado do presidente da China, Xi Jinping, aos Estados Unidos, enquanto Washington e Pequim buscam avançar em um possível acordo econômico mais amplo. Bessent afirmou à Fox News que ainda não é possível prever se as negociações resultarão em um novo pacto ou em outra prorrogação do acordo atual. "Não sei se será possível fechar um acordo maior. Não sei se vamos simplesmente prorrogar o acordo atual", declarou.
Trégua suspende parte das medidas comerciais
O entendimento entre os dois países foi anunciado durante uma cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping em Busan, na Coreia do Sul, e estabeleceu uma trégua de um ano na disputa comercial. Entre as medidas suspensas estão algumas tarifas, restrições à exportação de terras raras e tarifas elevadas cobradas de embarcações construídas ou pertencentes a empresas chinesas que fazem escala em portos dos EUA. Apesar da extensão, Bessent disse que Washington considera que Pequim ainda não cumpriu integralmente algumas obrigações assumidas. "Há algumas obrigações que não foram cumpridas perfeitamente pelo lado chinês", afirmou, sem especificar quais compromissos estariam pendentes.
Agricultura permanece no centro das negociações
As compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos são um dos temas centrais das conversas. De acordo com Bessent, a China foi "muito abrangente" nas aquisições de soja dos EUA neste ano, mas está "um pouco atrasada" em outros compromissos relacionados ao setor agrícola. "Estamos incentivando-os a cumprir essas obrigações", disse o secretário. Ele também indicou que as reuniões entre Trump e Xi podem resultar em anúncios sobre serviços financeiros e novas compras de produtos agrícolas.
As negociações também incluem uma possível redução de tarifas sobre determinados produtos, como embarques de energia e itens agrícolas norte-americanos, além de insumos chineses usados por fabricantes. Conforme Bessent, uma das propostas em discussão prevê reservar US$ 30 bilhões para cada lado — EUA e China — em exportações que ficariam isentas de tarifas.
Além do comércio, os dois governos passaram a discutir mecanismos de cooperação sobre riscos da inteligência artificial. Bessent e He Lifeng se reuniram em Nova York no fim de semana como parte dos preparativos para a cúpula e realizaram uma sessão adicional em Washington nesta quarta-feira. Após a reunião de domingo, Bessent afirmou que as partes concordaram em ampliar o diálogo sobre inteligência artificial, incluindo a possibilidade de criar um mecanismo de notificação sobre ameaças compartilhadas. "Ainda não foi definido, mas também espero que possamos conversar sobre quaisquer incidentes que tenham ocorrido, especialmente aqueles que tenham ultrapassado as fronteiras nacionais", declarou.
A extensão da trégua foi anunciada no momento em que Xi Jinping iniciava sua visita de Estado aos EUA, colocando as relações econômicas entre Washington e Pequim em evidência. Questionado sobre o que Trump poderia obter das reuniões com o presidente chinês, Bessent afirmou que os EUA "provavelmente" verão anúncios relacionados a serviços financeiros e novas compras de produtos agrícolas.







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