O apoio anunciado de 14 países da América Latina e do Caribe ao chamado Escudo das Américas, iniciativa ligada ao governo Trump e apresentada como combate ao narcoterrorismo, foi criticado neste domingo em texto que o descreve como uma repetição da guerra às drogas.

Críticas à estratégia

Segundo a análise, a proposta reaproveita uma política antiga dos Estados Unidos, lançada em 1971 por Richard Nixon e ampliada por Ronald Reagan e Bill Clinton. O texto afirma que, ao longo de décadas, a chamada guerra às drogas consumiu mais de US$ 1 trilhão e não reduziu de forma significativa o uso de drogas ilícitas no país.

O material destaca ainda que a principal consequência interna foi o crescimento do encarceramento em massa, com impacto desproporcional sobre negros e latinos. Também cita o avanço da crise de overdoses nos EUA, impulsionada pela entrada de opioides sintéticos no mercado.

Efeitos na América Latina

Na América Latina, o texto aponta aumento da violência, da corrupção política e do poder de cartéis em países como México, Colômbia, Peru, Equador e Brasil. Para o autor, a militarização e a repressão armada ampliaram mortes, desaparecimentos e a fragilidade das instituições.

O texto também critica a ideia de classificar organizações criminosas como terroristas, sob o argumento de que isso pode dificultar a cooperação técnica e abrir espaço para ações mais amplas dos EUA, com uso de leis antiterrorismo de efeito extraterritorial.

Ao final, a análise sustenta que o Escudo das Américas teria menos relação com o combate às drogas e mais com o controle geopolítico da região, incluindo medidas como sanções, bloqueio de ativos e operações de inteligência em outros países.