A Polícia Federal encontrou no celular de Robson Calixto da Fonseca, o Peixe, mensagens em que ele chama o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “nosso senador” enquanto solicitava recursos de uma emenda parlamentar para uma instituição do Rio de Janeiro. A informação consta em relatórios da investigação do caso Marielle Franco, divulgados pela revista Piauí.
Entenda o caso
Peixe, ex-policial militar condenado a nove anos de prisão pelo assassinato de Marielle e Anderson Gomes, mantinha conversas com a assessora de Flávio no Senado, Maria de Fátima Bezerra Castro. Em uma das trocas de mensagens, ele escreveu: “Amiga vê com o nosso Senador se consegue nos ajudar”. Os diálogos foram recuperados em março de 2024, durante uma busca e apreensão.
O senador destinou R$ 199.999,79 ao Ministério do Esporte para o projeto “Jogadores do Futuro”, voltado a crianças na região de Jacarepaguá. O valor foi repassado ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), que fica sob influência dos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, também condenados pelos assassinatos.
As mensagens mostram que a assessora orientou Calixto a formalizar o pedido por e-mail e convidou o grupo para uma cerimônia de entrega de coletes à PM do Rio, sugerindo levar Chiquinho Brazão. Poucos dias depois do evento, o senador liberou as emendas.
Irregularidades apontadas
O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou problemas na execução do projeto. O Ifop contratou um escritório de advocacia do próprio presidente da entidade, José Rômulo Oliveira Alves, para coordenar o projeto esportivo, o que configura conflito de interesses. A atividade do escritório na Receita Federal não tem relação com coordenação de projetos esportivos.
A PF apura possíveis crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Investiga-se se o dinheiro público foi desviado e se integrantes da estrutura ligada aos Brazão se beneficiaram. No total, Flávio enviou cerca de R$ 600 mil à organização, incluindo R$ 400 mil via emenda Pix para outra cidade.
Em nota, a assessoria de Flávio Bolsonaro negou irregularidades e afirmou que a responsabilidade pela execução é da entidade beneficiária. A defesa de Calixto não respondeu aos contatos. A Polícia Federal segue apurando o destino dos recursos e a participação de cada envolvido.







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