O portal Você viu isso publica, com exclusividade e em primeira mão, o resultado de uma apuração contundente conduzida pelo advogado Benedito Silva Junior. A investigação, fundamentada em documentos judiciais irrefutáveis, lança luz sobre as engrenagens financeiras e as relações umbilicais que sustentam o mandato do Senador Sergio Moro (PL-PR). O ex-juiz da Lava Jato, que construiu sua figura pública sob o estandarte da moralidade e do combate aos desvios, mantém seu escritório político em um endereço de alto padrão em Curitiba, bancado com verba pública. Os recebedores desse montante, no entanto, possuem laços societários e advocatícios diretos com o seu próprio suplente no Senado Federal, Luis Felipe Cunha.


O Duto do Dinheiro Público


O gabinete de Moro opera no suntuoso Centro Empresarial Engenheiro José Joaquim, localizado na Alameda Dr. Carlos de Carvalho, uma das áreas mais nobres e valorizadas da capital paranaense. O que os recibos do Portal da Transparência do Senado mostram é que o aluguel dessa estrutura é pago diretamente à banca Gomes Coelho & Bordin - Sociedade de Advogados.

O custo para o pagador de impostos é expressivo: apenas no mês de março de 2026, os gastos com a estrutura chegaram a R$ 11.737,73. Ao longo de seu mandato, a manutenção desse espaço já consumiu mais de R$ 440 mil dos cofres públicos. Somando todas as despesas parlamentares, Moro já acumula mais de R$ 1,57 milhão em gastos, superando os demais senadores do Paraná no mesmo período analisado.


As Provas: A Sociedade Oculta aos Olhos do Eleitor



O verdadeiro conflito ético não reside apenas nos altos valores, mas em quem orbita esse dinheiro. O advogado Benedito Silva Junior reuniu um dossiê com processos que provam que a banca de advocacia que recebe o dinheiro público do aluguel de Moro atua em profunda e contínua simbiose profissional com o advogado Luis Felipe Cunha — o suplente direto do Senador.

O detalhe político é crucial: caso Sergio Moro deixe o Senado para disputar e vencer a eleição para o Governo do Paraná em 2026, é Luis Felipe Cunha quem herdará a cadeira e o mandato em Brasília.

Os documentos judiciais públicos resgatados e organizados por Benedito Silva Junior e divulgados agora pelo portal Você viu isso destroem qualquer tese de mero acaso, demonstrando uma parceria financeira e jurídica de anos:

  • Procuração e Representação (2020): Em fevereiro de 2020, o escritório Gomes Coelho & Bordin outorgou poderes formais a Luis Felipe Cunha para representá-los judicialmente na propositura de uma ação monitória contra uma empresa de logística.

  • Defesa Ativa e Recente (2026): Essa relação está plenamente ativa e documentada. Em 20 de fevereiro de 2026, o próprio Luis Felipe Cunha assinou peças de defesa (Contrarrazões de Agravo de Instrumento) no Tribunal de Justiça do Paraná, atuando como procurador para proteger os interesses da Gomes Coelho & Bordin em um litígio sobre esvaziamento patrimonial.

  • Execução Conjunta de Honorários (2025): Em abril de 2025, o advogado Hélio Gomes Coelho Junior protocolou petição manifestando "expressa anuência" para que o advogado substabelecido, Luis Felipe Cunha, seguisse com a execução de honorários advocatícios sucumbenciais em um processo que tramita na 8ª Vara Cível de Londrina.

PROVA 1
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"Consultoria" de R$ 1 Milhão e o Conflito de Interesses


A documentação robusta trazida a público por esta investigação escancara o que dados de consulta empresarial já sugeriam: Luis Felipe Cunha integra a banca "Gomes Coelho, Bordin, Cunha & Seleme Sociedade de Advogados". Ou seja, o suplente do Senador é sócio direto daqueles que recebem os repasses do Senado para abrigar o ex-juiz.

Vale lembrar que o nome de Cunha não é novo em polêmicas financeiras envolvendo o capital político de Moro. Durante a campanha de 2022, veio à tona que uma empresa do advogado recebeu R$ 1 milhão do União Brasil (antigo partido de Moro) sob a genérica rubrica de "consultoria jurídica".


A moralidade pública exige não apenas a legalidade estrita de um contrato, mas a ausência de suspeição e de favorecimento cruzado. Ao direcionar centenas de milhares de reais de verbas de gabinete para uma estrutura empresarial inseparável de seu próprio suplente e herdeiro político, Sergio Moro esbarra nas mesmas práticas políticas questionáveis que um dia jurou combater. As provas colhidas por Benedito Silva Junior estão registradas, assinadas com certificados digitais e tramitam na Justiça. Resta saber como o ex-paladino da ética justificará esse rentável ecossistema financiado pelo povo brasileiro.