Sabe aquele assunto que o londrinense engole com o café e não esquece o resto do dia? Pois a semana trouxe três, e eles conversam entre si mais do que parece: o que a gente paga, o que a gente conserta e o que a gente resolve devolver à cidade.

O piso que a gente paga duas vezes

Comecemos pelo Moringão. A Prefeitura abriu licitação de R$ 1 milhão para trocar o piso do ginásio, com disputa marcada para 17 de novembro, às 13h, e 180 dias de obra depois da contratação. Só o piso original custou R$ 1,169 milhão, e poucos meses após a reabertura, em 2023, as placas de madeira começaram a dar problema.

O que me incomoda não é a licitação em si. Consertar é obrigação. O que incomoda é o que a perícia apontou: os danos poderiam ter sido evitados. O piso absorveu mais umidade do que o previsto e cerca de 30% das placas se degradaram. A estrutura original, de 1972, tem contrapiso de 18,5 centímetros de material de baixa porosidade; na ampliação de 2002, a espessura varia entre 4,5 e 7 centímetros, com material mais permeável à água. Ou seja: o problema tem endereço técnico conhecido.

E aqui vai a pergunta que ninguém está fazendo em voz alta: quem responde por isso? A matéria informa que a licitação sai pouco mais de um ano depois do anúncio de que o governo do Estado faria o investimento. Dinheiro público gasto em obra que precisa ser refeita é dinheiro que deixou de ir para outra coisa. Fica a dica para você: acompanhe o dia 17 e, depois, o cronograma. Seis meses de obra em ginásio tem fama de virar um ano.

A festa que volta e a gasolina que não desce

Agora, uma notícia que merece aplauso sem ressalva. Depois de 14 anos, a Festa Nordestina volta a Londrina, nos dias 27 e 28 de novembro, das 9h às 21h, no pátio do Museu de Arte, na Rua Sergipe, com entrada gratuita. A última edição foi em 2012. O secretário de Cultura, Marcão Kareca, lembrou que a cidade tem grandes festas para japoneses, alemães, árabes e italianos, e que resgatar a nordestina é reconhecer o valor dessa gente na construção de Londrina.

Concordo com ele, e digo mais: quem levantou Londrina e o Norte do Paraná com enxada, tijolo e estrada tem nordestino no meio. Festa que celebra isso e não cobra ingresso é política cultural de verdade. A programação completa ainda não saiu, e é aí que a gente cobra: que tenha comida, música e artista da própria comunidade, não só um palco bonito.

Na mesma linha de cultura que chega ao povo, vale registrar o Toda Quinta tem História, que leva contação de histórias gratuita às bibliotecas em quatro quintas de novembro. Começa hoje, às 10h, na Biblioteca Ramal Padre Adelino de Carli, na Vila Nova, e às 14h30 na Biblioteca Especializada Infantil. Se você tem criança em casa, já sabe o que fazer com a manhã.

Do lado do bolso, a notícia é menos festiva. A pesquisa semanal da ANP mostrou a gasolina comum a R$ 6,39 em média, igual à semana anterior, variando de R$ 5,87 a R$ 7,38. Uma diferença de R$ 1,51 por litro entre um posto e outro, na mesma cidade. O mais barato estava na Rua Taquari, na Vila Nova. E o etanol, a R$ 3,86, equivale a 60% do preço da gasolina, abaixo dos 70% que servem de referência: para a maioria dos flex, compensa.

Moral da história: pesquisar preço virou obrigação cívica. Quem abastece no primeiro posto que aparece na Higienópolis pode estar deixando dinheiro na bomba.

O fio que costura tudo

Repare no que une as três histórias: dinheiro público e escolhas. Um piso caro que precisa ser refeito; uma festa que custa pouco e devolve identidade; uma gasolina que pesa no orçamento de quem depende do carro para trabalhar. A cidade se mede pelo que escolhe cuidar, e também pelo que deixa estragar por descuido.

Meu palpite para a próxima semana: a licitação do Moringão vai atrair mais olhar do que a Festa Nordestina, porque o escândalo sempre vende mais que o acerto. Mas se você puder, vá às duas coisas. Fiscalize o piso e dance na Rua Sergipe. Quem disse que cidadania não pode ter forró?

A coluna Pé Vermelho sai todo domingo na seção Londrina do Você Viu Isso?. É opinião: os fatos estão nas matérias citadas.