O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial, disse nesta sexta-feira (30), em transmissão ao vivo no Instagram a partir dos Estados Unidos, que deixou o Brasil por ser vítima de “perseguição” e que no país vive-se “um regime de exceção”. Ao mesmo tempo, uma ação popular na Justiça do Rio de Janeiro pede a suspensão de seu salário e de suas verbas de gabinete por suposto abandono do mandato.
A saída do país e o relato de Flávio
Flávio saiu do Brasil na última quarta-feira, passou pela Argentina e pelo Equador e chegou à Flórida, onde desembarcou no Aeroporto de Opa-Locka. A live foi sua primeira aparição pública desde que divulgou, na quarta, uma carta na qual se apresentou como “líder” do Brasil.
“Começou a perseguição, até um pouco antes do que eu imaginava que começaria”, afirmou. Ele contou que, na segunda-feira, ao deixar a casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, foi informado pela Polícia Federal de que seus passaportes seriam apreendidos. A medida integra uma investigação por lavagem de dinheiro.
Sobre a conversa com o pai, relatou: “E ele foi, me olhou com os olhos cheios de lágrimas. Falou: já sabe onde é que eles querem chegar com isso, né?”. Flávio respondeu: “Pai, já sei (...) Estou preparado, vou enfrentar. Agora eu sei o que eu tenho que fazer.”
Sem detalhar como deixou o país, disse que decidiu com a esposa “sem que ninguém soubesse” e pediu que ninguém fosse responsabilizado. “Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil”, declarou, acusando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de envolvê-lo “falsamente” na investigação.
Argentina, Estados Unidos e isolamento político
Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, o senador embarcou na noite de terça-feira em um avião particular em Puerto Iguazú, 40 minutos após cruzar a fronteira por terra. Um documento de voo consultado pela AFP indica que ele deixou o país com passaporte italiano. O chefe de gabinete argentino, Diego Santilli, negou irregularidades e disse que não havia “impedimentos da Interpol”.
De acordo com uma fonte diplomática brasileira ouvida pela AFP, o Itamaraty convocou na quinta-feira a encarregada de negócios da Argentina em Brasília para “prestar esclarecimentos” sobre possível participação do governo de Javier Milei, o que classificou como “procedimento de praxe”. O chanceler argentino, Pablo Quirno, negou no X: “Falso. Não houve nenhum pedido de explicações”. A tensão entre os dois países vem desde agosto, quando o Brasil rebaixou sua representação diplomática em Buenos Aires após insultos de Milei a Lula.
Em Washington, congressistas do Partido Democrata pediram ao secretário de Estado, Marco Rubio, que esclareça se houve coordenação com Buenos Aires para facilitar a saída do senador. Donald Trump chamou o resultado da eleição brasileira de “desgraça”, mas não endossou a alegação de Flávio de ser o verdadeiro “líder” do país.
Dentro da direita, a carta também não teve respaldo. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que “ninguém aprovou a carta” e que é preciso “tocar o partido para a frente”. A senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) afirmou que Jair Bolsonaro pediu à direita um “momento de união, e não de procurar culpados”.
Ação pede suspensão de salário
A ação popular foi protocolada pelos advogados Leonardo Nicolau e Rodrigo Roma, segundo o jornalista Lauro Jardim, de O Globo. Eles pedem, em caráter liminar, a suspensão imediata de salário, auxílios e verbas de gabinete de Flávio, com base no princípio da moralidade administrativa e no risco de prejuízo aos cofres públicos.
Os autores citam a saída do país, a carta em que ele se apresentou como “líder brasileiro” e a ausência na primeira sessão ordinária do Senado após a eleição, à qual poderia ter assistido remotamente. Também pedem que a Mesa do Senado preste informações sobre a situação funcional do senador e que eventuais pagamentos irregulares sejam ressarcidos ao final do processo.
Ainda não há decisão judicial: cabe à Justiça avaliar se há fundamento para a liminar e decidir sobre os pedidos.
Com informações de Folha de Londrina, BRASIL.







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