Os democratas conquistaram uma vitória ampla nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3) nos Estados Unidos e retomaram o controle do Congresso. A oposição assumirá a Câmara dos Representantes e o Senado, o que impõe um revés a Donald Trump e compromete os dois últimos anos de seu mandato.
Segundo as projeções e apurações parciais, os democratas asseguraram 228 das 435 cadeiras da Câmara, contra 139 dos republicanos. No Senado, garantiram ao menos 54 das 100 vagas. A contagem de votos ainda está em andamento.
Vitórias em redutos republicanos
Os democratas venceram na Carolina do Norte, na Carolina do Sul e em Ohio, além de estados tradicionalmente republicanos como Texas, Iowa e Kansas. No Kansas, Adam Hamilton foi o primeiro democrata eleito para o Senado pelo estado desde 1932. Iowa escolheu seu primeiro senador democrata desde 2008.
No Texas, o pastor presbiteriano James Talarico venceu Ken Paxton, candidato apoiado de maneira entusiasmada por Trump. No mesmo estado, Gina Hinojosa derrotou o governador Gregg Abbott, que tentava a reeleição. Em Michigan, Abdul El Sayed reivindicou vitória em disputa acirrada que o tornaria o primeiro muçulmano eleito para o Senado.
Os republicanos que venceram o fizeram com margens bem menores que em disputas anteriores. Na Flórida, o governador eleito Byron Donalds, o primeiro negro a comandar o estado, venceu com vantagem de apenas 1,5 ponto. Há quatro anos, Ron DeSantis havia vencido o rival democrata por 20 pontos percentuais.
O que dizem Trump e os democratas
Em conversa com jornalistas do New York Times, Trump reconheceu a derrota. "Estou absolutamente disposto a aceitar estes resultados", declarou, segundo o jornal. À Fox News, o presidente, de 80 anos, afirmou: "Acho que os democratas fizeram um bom trabalho, realmente acho. Eles lutaram de maneira dura".
Nas redes sociais, porém, ele se desvinculou do resultado: "Eu não estava na cédula e, se estivesse, teríamos vencido de maneira avassaladora". Trump também publicou a imagem de um boné vermelho com a palavra "VETO", em referência à sua prerrogativa de barrar projetos aprovados pela maioria democrata. Ele admitiu que o conflito com o Irã pode ter contribuído para a derrota do partido, mas defendeu a ação militar.
Reeleito senador pela Geórgia, Jon Ossoff afirmou que "o povo americano repudiou a depravação, a corrupção e a incompetência do fracassado presidente 'pato manco' Donald J. Trump". Hakeem Jeffries, líder da bancada democrata e provável presidente da Câmara, disse que "os extremistas MAGA estão em fuga de uma costa a outra" e prometeu uma agenda focada no poder aquisitivo.
O resultado reflete a preocupação dos eleitores com o custo de vida, diante da alta dos combustíveis e dos alimentos. Em Atlanta, a eleitora Gracie Surface disse que votou em Ossoff porque a política americana precisa de "sangue novo". Do Irã, o principal negociador nos diálogos com Washington, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que os americanos votaram "não à guerra".
Investigações e reflexos no exterior
Os democratas prometem abrir investigações sobre o presidente, sua família e seu governo, além de discutir se devem continuar financiando a guerra no Irã. Nos primeiros dois anos de mandato, Trump lançou campanhas militares de sucesso desigual na Venezuela e no Irã, determinou cortes de impostos e assinou dezenas de decretos.
No Brasil, integrantes da diplomacia e do governo avaliam que a nova correlação de forças em Washington limitará a atuação externa de Trump a partir de 2027, segundo a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Um diplomata brasileiro chamou o ciclo que se encerra de "Trump Imperial" e disse que as ações do presidente não deixarão de ocorrer, mas deixarão de sair "grátis". O Itamaraty mantém a tradição de não comentar oficialmente eleições estrangeiras.
A avaliação no governo brasileiro é que Washington terá mais dificuldade de pressionar países grandes da região, como México e Brasil. Já a revogação das tarifas impostas ao Brasil não deve ocorrer no curto prazo, pois depende da evolução das negociações bilaterais. A diplomacia também acompanha o futuro do secretário de Estado, Marco Rubio, que, diante de eventual projeto eleitoral próprio, pode ter de recalibrar sua atuação.
Com informações de Folha de Londrina, BRASIL.







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