Os Estados Unidos negaram, nesta terça-feira, que estejam interferindo nas eleições brasileiras, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrar preocupação com uma possível atuação de integrantes do governo Donald Trump no processo eleitoral.

Em entrevista à CNN Brasil, Amanda Roberson, porta-voz do Departamento de Estado, afirmou que definir o próximo presidente do Brasil é uma decisão exclusiva dos eleitores do país e que influenciar votações em outros países não faz parte da estratégia de Washington.

“Nos Estados Unidos, estamos focados nas nossas prioridades. Como falou o presidente Trump, estamos focados na segurança, na prosperidade, na paz. Trabalhando assim dentro de outros países sobre eleições não é parte da nossa estratégia”, disse.

Washington fala em soberania do brasil

Roberson também negou que integrantes do governo americano tenham discutido iniciativas para interferir no cenário político brasileiro. Segundo ela, os EUA acompanham a disputa, mas reconhecem a soberania do Brasil e defendem eleições livres e transparentes.

“Nunca falamos nada assim de interferência. O que falamos, sim, foi sobre a soberania do Brasil, a soberania dos Estados Unidos, e sabemos que a eleição é algo dos brasileiros, do Brasil”, afirmou. “A eleição é algo que o Brasil está fazendo independentemente dos Estados Unidos”, acrescentou.

A porta-voz ainda disse que o governo americano gostaria de ver o Brasil adotar medidas mais duras contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), mas evitou indicar preferência por qualquer candidato na eleição brasileira.

lula diz estar preocupado com marco rubio

A declaração do Departamento de Estado veio depois de Lula dizer, em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, que está “muito preocupado” com uma possível atuação do secretário de Estado, Marco Rubio, nas eleições brasileiras. O presidente citou a ligação política de Rubio com o bolsonarismo e mencionou suspeitas sobre uso de inteligência artificial.

Lula afirmou também que já pediu diretamente a Trump que os Estados Unidos não interfiram no pleito brasileiro. Segundo ele, o presidente americano teria sinalizado que não pretende se envolver no processo eleitoral.

O tema passou a ser acompanhado por órgãos do governo brasileiro. Um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), enviado no fim de agosto ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), elevou a possibilidade de influência norte-americana nas eleições a um “nível de criticidade”.