A decisão de elevar o ISS em até 100% para 152 categorias revela uma face indecente do prefeito: cálculo fiscal acima de responsabilidade social, insensibilidade acima de diálogo e uma gestão que trata quem produz como inimigo — não como motor da economia.

Em Apucarana, o recado veio sem aviso, sem conversa e sem cerimônia: vai pagar mais — muito mais.
O aumento do ISS promovido pela administração de Rodolfo Mota não é um ajuste técnico, uma atualização tributária ou uma medida de equilíbrio fiscal.
É uma cobrança agressiva, feita no momento errado, da forma errada e com a mensagem política errada.

A cidade, que esperava incentivos e modernização, recebeu um golpe tributário. Uma "facada nas costas".

O governo elevou o ISS em 152 atividades e, em vários casos, a cobrança saltou de forma obscena, dobrando valores da noite para o dia. Empresários, autônomos, prestadores de serviços e profissionais liberais tentam entender que tipo de lógica pública considera razoável estrangular quem mantém a economia minimamente viva.

Enquanto a propaganda oficial fala em desenvolvimento, inovação e futuro, a ação prática lembra regimes fiscais do passado: aumenta-se primeiro, explica-se depois — se é que se explica.

Prometeu apoio — entregou sufocamento

Rodolfo Mota construiu sua imagem pública como defensor da economia local, alguém disposto a incentivar o empreendedorismo e tornar Apucarana mais competitiva.
Era uma narrativa conveniente, sedutora — e agora desmontada.

Porque governantes não se definem pelo discurso, mas pelas decisões e práticas.
E essa decisão é brutal.

Nenhum estudo técnico foi apresentado à população. Nenhuma transição. Nenhuma compensação. Nenhum debate.

O prefeito simplesmente decidiu que quem trabalha deve pagar mais — e pronto.

A mensagem política é quase pedagógica:

“Eu governo, vocês obedecem e pagam caro.”

A conta não fecha — e a justificativa também não

Se a prefeitura realmente precisa arrecadar mais, por que o peso cai apenas sobre quem já sustenta a máquina pública?
Por que não cortar desperdícios, reduzir custos, revisar contratos, enxugar a estrutura, antes de lançar uma ofensiva fiscal contra trabalhadores e pequenas empresas?

Nenhuma dessas perguntas foi respondida.

A gestão optou pelo caminho mais fácil — e o mais cruel: cobrar de quem não pode escapar.

Porque impostos não discutem, não protestam, não negociam.
Eles chegam.
E esmagam.

O medo volta a fazer parte do vocabulário empresarial

A cidade agora revive uma história conhecida: empresários calculando demissões, profissionais reconsiderando abrir CNPJ, microempreendedores pensando em fechar as portas ou mudar de município.

Esse tipo de decisão não só afeta o caixa — afeta o humor coletivo, a confiança e o futuro.

E confiança, uma vez quebrada, dificilmente volta inteira.

O prefeito errou — e errou feio

Não se trata de opinião ideológica ou disputa partidária.
É simples lógica de gestão: quando um governo taxa agressivamente o setor produtivo, ele não fortalece o município — enfraquece.

Ele não melhora arrecadação — aciona o freio econômico.

Ele não organiza finanças — provoca recessão local.

E o pior: faz isso em silêncio, sem transparência e sem justificativa robusta.

Uma frase começa a circular nos bastidores:

“Rodolfo não está governando Apucarana — está cobrando Apucarana.”

E talvez esse seja o resumo mais cruel — e mais preciso — da situação.

O aumento do ISS não é um ato administrativo.
É um marco político.

A partir dele, a população passa a ver o prefeito não como gestor de desenvolvimento, mas como um governante disposto a penalizar quem trabalha para compensar sua incapacidade de administrar melhor.

A cidade percebeu, e a percepção é nítida:

o prefeito escolheu arrecadar antes de pensar, impor antes de dialogar, punir antes de construir.

E agora terá de lidar com o peso mais difícil de todos — não o do imposto, mas o da desconfiança.

Porque quando um governo rompe com seu próprio discurso, o dano não é só econômico.
É moral.