Falta uma semana. O segundo turno está aí, e o cenário é o seguinte: pesquisa Vox Brasil divulgada neste domingo mostra Lula com 51% dos votos válidos contra 49% de Flávio Bolsonaro — empate técnico dentro da margem de erro. O que chama a atenção não é só o placar apertado, mas o fato de que 45,3% dos eleitores rejeitam tanto um quanto o outro. Ninguém vai para as urnas empolgado. Vão porque têm que escolher.

O que você viu nesta semana foi um jogo de articulação pesada nos dois campos. Do lado do governo, a promulgação de duas PECs que mexem com a base: o fim da escala 6x1, garantindo dois dias de descanso semanal, e aposentadoria especial para agentes de saúde. Davi Alcolumbre confirmou a cerimônia para sexta-feira passada, e a mudança vale para 26,8 milhões de trabalhadores, segundo o Dieese. Não foi à toa: a medida caiu bem nas redes, mobilizou sindicatos e deu munição para Lula na reta final.

A jogada dupla do PL

Mas aí vem o detalhe que pouca gente percebeu de primeira. Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, confirmou a estratégia da oposição: primeiro apoiar o fim da 6x1, depois, caso Flávio vença, votar a PEC de Rogério Marinho sobre jornada flexível. Traduzindo: eles embarcaram na pauta popular agora, mas já têm o plano B pronto para esvaziar a conquista depois. É o velho truque de surfar na onda sem molhar o pé — e deixar para a próxina legislatura o trabalho sujo de rever o que foi aprovado às pressas.

Essa é a política de bastidor que você precisa observar: o PL não virou defensor de direitos trabalhistas da noite para o dia. A bancada está lendo o tabuleiro e sabe que, numa eleição apertada, abraçar a pauta que está na rua pode render votos. A questão é o que vem depois — e aí a coisa muda de figura.

Nunes Marques no centro do fogo cruzado

Enquanto isso, o TSE virou ringue. Deputados do PT acionaram o STF contra Kassio Nunes Marques por suspeitas ligadas ao Banco Master, e Rui Falcão pediu o afastamento do ministro da presidência do Tribunal. A acusação é grave: possível falsidade ideológica eleitoral e decisões que estariam favorecendo um lado. Até O Globo entrou na dança, com editorial criticando a parcialidade de Nunes Marques em decisões tomadas durante a campanha.

O problema é que, a uma semana da eleição, qualquer decisão do TSE vira munição. O PT aposta que desacreditar a gestão de Nunes Marques pode criar um clima de desconfiança que favoreça Lula; o PL, por sua vez, joga com a narrativa de perseguição e blindagem do adversário. No meio disso tudo, a credibilidade da Justiça Eleitoral vai sendo corroída — e isso não é bom para ninguém, nem agora, nem depois.

O que vem pela frente

A eleição está indefinida, o clima está tenso e os próximos sete dias vão definir se o Brasil segue com Lula ou vira a página para Flávio Bolsonaro. O que você deve observar: como cada lado vai usar a PEC da escala 6x1 no corpo a corpo final, se o desgaste em torno de Nunes Marques vai ganhar tração nas redes e se algum dos dois candidatos vai conseguir furar a bolha da própria militância para buscar o voto do eleitor indeciso — que, neste momento, é quem decide.

Uma coisa é certa: seja qual for o resultado, a próxima semana vai ser longa. E o tabuleiro, daqui para a frente, só embaralha mais.

A coluna Bastidores do Poder sai todo domingo na seção Política do Você Viu Isso?. É opinião: os fatos estão nas matérias citadas.