O jornal O Globo publicou um editorial que tece críticas à postura do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, durante a campanha presidencial. O texto questiona a decisão de Nunes Marques de suspender um canal de WhatsApp utilizado para apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).

A publicação alerta sobre os perigos de medidas judiciais tomadas de forma precipitada, que poderiam comprometer a liberdade de expressão e alimentar suspeitas de parcialidade. A manifestação do O Globo se soma a outras críticas à atuação de Nunes Marques, incluindo as da Folha de S.Paulo. Ambos os jornais expressam preocupação com os limites da intervenção da Justiça Eleitoral na disputa, especialmente diante de decisões que podem restringir a circulação de conteúdos políticos.

Suspensão de canal e judicialização crescente

O editorial destaca que Nunes Marques determinou a retirada do canal de WhatsApp do ar antes mesmo que o relator do processo, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que também é corregedor-geral eleitoral, concluísse sua análise. Posteriormente, Cueva ordenou o restabelecimento do canal. A área técnica do TSE, acionada pelo próprio presidente da Corte, não encontrou desinformação nos conteúdos examinados. Para o O Globo, a urgência de uma campanha eleitoral não justifica o desrespeito aos procedimentos regulares, e decisões precipitadas podem gerar injustiças e aumentar a percepção de partidarização do Judiciário.

A publicação também chama atenção para o aumento significativo da judicialização da disputa presidencial. Neste ano, o TSE registrou 698 processos relacionados às candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro (PL), um aumento considerável em comparação com os 263 da eleição de 2022. O editorial ainda menciona a preocupação com estratégias processuais que visam direcionar ações a ministros supostamente mais favoráveis a determinadas candidaturas.

Suspensão de julgamentos e liberdade de expressão

Outro ponto abordado pelo O Globo é a decisão de Nunes Marques de suspender três julgamentos no plenário virtual do TSE, em uma sexta-feira, quando já havia maioria formada a favor de Lula e contra o voto do relator, ministro André Mendonça. O editorial insere o caso no contexto das múltiplas disputas judiciais que marcaram a campanha.

Embora reconheça o dever da Justiça Eleitoral de combater conteúdos falsos e garantir a legislação, o O Globo defende que essa atribuição não deve resultar em restrições indiscriminadas à liberdade de expressão. O editorial ressalta que o combate à desinformação deve seguir critérios uniformes, independentemente da candidatura beneficiada ou prejudicada. As críticas do O Globo e da Folha de S.Paulo colocam a atuação de Nunes Marques no centro do debate sobre os limites do poder da Justiça Eleitoral, especialmente em um momento de preparação para o segundo turno das eleições.