247 – O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (17), em Washington, que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) poderiam sofrer novas sanções dos Estados Unidos caso a Corte contestasse uma eventual vitória de seu irmão, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), nas eleições de outubro.
As declarações foram dadas a jornalistas durante uma agenda de Eduardo na capital estadunidense e divulgadas pela CNN Brasil. O ex-deputado relacionou a crise interna no Supremo à disputa presidencial e levantou a possibilidade de o governo de Donald Trump não reconhecer o resultado brasileiro caso, em um cenário hipotético, ministros do STF questionassem uma vitória de Flávio.
“Quando Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes foram criticar André Mendonça, o que é que eles falaram? Falaram que aquilo ali era uma continuação do golpe”, afirmou Eduardo.
Na sequência, ele citou diretamente a possibilidade de uma reação de Washington contra magistrados brasileiros: “Se eles [juízes do STF] entenderem que a eleição do Flávio é um ato de golpismo, os EUA podem perfeitamente não reconhecer a eleição brasileira e sancionar individualmente esses ministros”.
Eduardo diz manter contatos com autoridades dos EUA
Eduardo Bolsonaro está acompanhado nos Estados Unidos pelo empresário Paulo Figueiredo. Os dois afirmam ter realizado reuniões em Washington com autoridades do Departamento de Estado e da Casa Branca, mas dizem que não divulgarão a identidade dos interlocutores enquanto o próprio governo estadunidense não tornar públicos os encontros.
Na quarta-feira (16), Eduardo e Figueiredo já haviam defendido junto a integrantes da administração Trump a imposição de sanções contra Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes, segundo a CNN Brasil.
Eduardo declarou nesta quinta que outras autoridades brasileiras poderiam ser atingidas por medidas relacionadas à Lei Global Magnitsky. Ele disse, porém, não ter conhecimento sobre quando ou se novas sanções serão efetivamente adotadas.
“Não somos nós que dizemos aos EUA o que fazer, quando fazer, até porque, se fosse dessa maneira, o Moraes continuava sancionado”, afirmou.
Moraes havia sido incluído pelo governo Trump na lista de pessoas sancionadas sob a Lei Global Magnitsky, mas foi retirado da lista do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) em dezembro de 2025.
Crise no STF entra na campanha presidencial
As declarações de Eduardo ocorrem em meio à crescente incorporação da crise do Supremo à campanha eleitoral. Flávio Bolsonaro tem usado seus atos de campanha para criticar ministros da Corte, especialmente Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Na quarta-feira, em Pernambuco, o candidato afirmou que pretende “proteger o STF” caso seja eleito e voltou a atacar integrantes do tribunal.
A disputa interna na Corte ganhou dimensão eleitoral após as discussões sobre investigações envolvendo integrantes do próprio Supremo. A CNN aponta que Lula e Flávio adotam estratégias distintas diante da crise: enquanto o presidente procura evitar que o assunto domine a reta final da campanha, o candidato do PL busca associá-lo ao governo e explorar o desgaste institucional.
Eduardo, por sua vez, vem atuando nos Estados Unidos em uma frente de pressão internacional contra integrantes do Judiciário brasileiro. Em junho, ele foi condenado pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo devido justamente à sua atuação junto a autoridades estadunidenses para pressionar pela adoção de sanções contra ministros da Corte e contra o Brasil. A defesa recorreu do cálculo da pena.
Eduardo e Figueiredo prometem aproximação com Trump
Além da crise no STF, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo disseram ter tratado com interlocutores estadunidenses de políticas de combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado.
Segundo os dois, uma eventual administração de Flávio Bolsonaro buscaria integrar o Brasil ao chamado Escudo das Américas, coalizão articulada pelo governo Trump com países da América do Sul e do Caribe.
Eduardo e Figueiredo também afirmaram que as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil não foram discutidas nas conversas realizadas até agora. De acordo com eles, o tema seria objeto de negociações caso Flávio vença a eleição presidencial.






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