A jurista Gisele Cittadino afirmou, em entrevista à TV 247, que o caso Master precisa avançar sobre todos os agentes públicos eventualmente envolvidos e que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial poderia levar à anulação das apurações. As declarações foram dadas em meio à crise aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) após revelações sobre o celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
apuração deve alcançar todos os envolvidos
Segundo Cittadino, a investigação não deve mirar previamente um único ministro ou autoridade. Para ela, qualquer suspeita precisa ser examinada com os mesmos critérios, sem concentração exclusiva em Alexandre de Moraes. A professora defendeu que o material apreendido pela Polícia Federal seja analisado integralmente antes de decisões individualizadas.
Ela também disse que é preciso aguardar os relatórios oficiais da PF antes de concluir se há responsabilidade de algum magistrado ou autoridade. Na avaliação da jurista, só depois da consolidação das provas será possível separar o que é relação pessoal, conflito de interesse ou eventual crime.
risco processual e disputa política
Cittadino alertou que a crise institucional pode trazer efeitos processuais para o próprio caso Master, especialmente diante de questionamentos sobre vazamentos e sobre o uso de informações extraídas do celular de Vorcaro. Nesse contexto, ela afirmou que, se Flávio Bolsonaro ganhar a eleição, apostaria que o sistema de Justiça poderia anular o caso.
A jurista argumentou que a investigação criminal não deve ser confundida com a disputa política e repetiu que o tempo da Justiça é diferente do tempo da política. Segundo ela, a apuração precisa seguir sem depender do calendário eleitoral, mas também sem atropelar garantias legais.
Cittadino disse ainda que o Supremo terá de construir um procedimento para investigar seus próprios integrantes caso surjam elementos concretos. Ela rejeitou a ideia de que discutir responsabilização de ministros represente ataque à Corte e afirmou que a legitimidade da instituição depende do esclarecimento das suspeitas.
Ao falar especificamente sobre Luiz Fux, a professora afirmou que não considera correto atribuir responsabilidade apenas com base no que veio a público até agora. Para ela, é necessário distinguir indícios, vínculos pessoais e prova, sem violar a presunção de inocência.
Novas reportagens seguem mostrando desdobramentos ligados a Vorcaro, enquanto o STF ainda discute como conduzir processos que alcançam integrantes da própria Corte. Para Cittadino, a saída passa por uma investigação ampla, com análise completa do material da Polícia Federal e sem subordinar o caso à conjuntura eleitoral.







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