As recentes acusações de suposta "rachadinha" envolvendo o gabinete do vereador Valdir Santa Fé (Valdir Aparecido dos Santos) sofreram uma reviravolta decisiva. Durante depoimento prestado ao promotor Renato de Lima Castro, do Ministério Público, o empresário e pai da ex-assessora que originou as denúncias negou categoricamente a existência de qualquer esquema ilícito de repasse de salários ou dívida de campanha por parte do parlamentar.


O depoente foi claro ao desmentir as alegações da própria filha, que foi recentemente exonerada do gabinete do vereador. Segundo o empresário, a narrativa sobre uma suposta dívida de R$ 21 mil do vereador foi inteiramente inventada por ele mesmo. O "desespero de pai"


De acordo com o relato prestado ao MP, a criação da falsa história teve uma motivação estritamente familiar e pessoal. O empresário explicou que a filha tem um histórico de instabilidade profissional e dificuldades de adaptação. Ao ver que a jovem, recém-nomeada, corria o risco de ser dispensada com poucos dias de serviço por não se adequar à rotina, ele agiu no desespero.


A intenção ao inventar a complexa história envolvendo a política era assustar a filha e demonstrar um falso "perigo" na situação, forçando-a a valorizar a oportunidade e permanecer no cargo de confiança. A estratégia, no entanto, saiu do controle familiar e acabou gerando uma acusação infundada contra o parlamentar. Transações comerciais documentadas, não repasses


Um dos pontos cruciais esclarecidos durante o depoimento foi a natureza das movimentações financeiras entre o empresário e outros assessores do gabinete. O depoente, que atua no ramo de compra e venda de veículos, explicou que os valores recebidos não se tratavam de devolução de salários, mas sim de pagamentos referentes a negócios lícitos. Devido à grande proximidade e confiança entre os membros do grupo político de Valdir Santa Fé, é natural que realizem negócios entre si. O empresário confirmou ter vendido bens, como carros, motos e consórcios, para os assessores. Ele ressaltou ao Ministério Público que todas essas transações são legais, transparentes e estão devidamente comprovadas por meio de contratos de compra e venda, transferências de veículos e comprovantes de Pix.


Relação política e indicações


Para justificar sua presença no entorno do gabinete, o empresário detalhou que é um participante ativo do grupo político de Valdir Santa Fé, atuando de forma expressiva nas campanhas e atividades diárias do mandato.

É exatamente essa militância e o peso político de sua atuação que lhe conferem o respaldo para sugerir nomes de confiança para a equipe do parlamentar. O histórico comprova essa dinâmica: o empresário já havia indicado sua esposa para atuar no gabinete e, mais recentemente, indicou a filha.

A exoneração da jovem, portanto, não teve qualquer ligação com esquemas financeiros, mas sim com a sua inadaptação ao trabalho exigido pela assessoria. Com os esclarecimentos documentados no Ministério Público, a defesa demonstra que o mandato de Valdir Santa Fé foi vítima de uma crise familiar que transbordou para a esfera pública, não havendo qualquer indício de improbidade administrativa.