247 – A desconfiança dos brasileiros em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu 48%, o maior patamar registrado desde o início da série histórica do Datafolha, em 2012. Em março, o percentual dos que diziam não confiar na corte era de 43%. Os dados são de pesquisa divulgada pela Folha de S.Paulo.

O levantamento foi realizado entre os dias 15 e 17 de setembro, com 2.001 pessoas em 125 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

A deterioração da imagem do STF ocorre em meio à crise que envolve integrantes da corte e às investigações relacionadas ao caso Banco Master. Os episódios provocaram embates públicos entre ministros e passaram também a ocupar espaço na campanha eleitoral.

Apenas 14% confiam muito no STF

Segundo o Datafolha, apenas 14% dos entrevistados dizem confiar muito no Supremo. Outros 35% afirmam confiar um pouco.

Na pesquisa realizada em março, 16% declaravam confiar muito no tribunal e 38%, um pouco. Ao mesmo tempo, a parcela dos que não confiam subiu cinco pontos percentuais, de 43% para os atuais 48%.

O resultado ocorre poucos dias depois de outro levantamento do instituto mostrar uma percepção crítica sobre o funcionamento da corte. Na pesquisa anterior, 76% afirmaram considerar que os ministros do Supremo têm poder excessivo. Ao mesmo tempo, 71% disseram considerar o STF essencial para a democracia.

Desconfiança supera Presidência, Congresso e partidos

Pela primeira vez na série do Datafolha, a desconfiança no STF supera os índices registrados para algumas das principais instituições políticas brasileiras.

Enquanto 48% afirmam não confiar no Supremo, o percentual é de 42% em relação à Presidência da República e de 45% tanto para o Congresso Nacional quanto para os partidos políticos.

O movimento do Supremo chama atenção porque ocorre na direção oposta à observada em outras instituições, que apresentaram estabilidade ou redução nos níveis de desconfiança.

Nos partidos políticos, por exemplo, a desconfiança caiu de 52% para 45%.

Homens e pessoas de maior renda são mais críticos

O descrédito em relação ao Supremo apresenta diferenças significativas de acordo com o perfil dos entrevistados.

Entre os homens, 54% afirmam não confiar na corte. O índice chega a 60% entre brasileiros com renda superior a cinco salários mínimos.

A avaliação também varia significativamente de acordo com a posição política dos entrevistados.

Entre eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), 69% dizem não confiar no STF. Já entre eleitores do PT, o índice informado pela pesquisa é de 22%.

O levantamento mostra ainda que 75% dos entrevistados que desaprovam o governo Lula afirmam desconfiar do Supremo.

Crise entra na campanha eleitoral

A crise do STF também passou a fazer parte diretamente da disputa eleitoral.

Flávio Bolsonaro vem defendendo o impeachment de ministros do Supremo e utilizando as críticas à corte em sua campanha. A crise envolvendo integrantes do tribunal e o caso Banco Master também passou a ser explorada politicamente por diferentes candidaturas e grupos.

Outro recorte do Datafolha mostra que 47% dos eleitores afirmam que a crise do Supremo terá alguma influência em sua escolha para presidente. Desse total, 36% dizem que o episódio terá grande peso na decisão, enquanto 11% afirmam que terá influência pequena.

Confiança cresce em outras instituições

Enquanto o STF registra deterioração de sua imagem, algumas instituições apresentaram aumento no percentual de brasileiros que dizem confiar muito nelas.

No Congresso, esse índice passou de 5% para 11%. Na imprensa, subiu de 15% para 22%. Nas Forças Armadas, passou de 26% para 34%.

A confiança na imprensa apresenta diferenças importantes por idade. Entre jovens de 16 a 24 anos, 14% afirmam confiar muito nos veículos de comunicação. Entre os mais velhos, o percentual chega a 30%.

O levantamento também aponta que a confiança na imprensa diminui à medida que aumenta a escolaridade dos entrevistados.

O contraste entre a melhora ou estabilidade observada em outras instituições e o aumento da desconfiança no Supremo coloca a corte em uma situação inédita desde que o Datafolha começou a medir sua imagem, em 2012: com 48% de descrédito, o STF alcançou agora seu pior resultado em 14 anos.