247 – O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, defendeu que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) mencionados nas investigações relacionadas ao caso Banco Master colaborem integralmente com as apurações. Em entrevista ao Estado de S. Paulo, Haddad afirmou que quem não tem nada a esconder deve ser o primeiro interessado em que as investigações cheguem até o fim.

“Se você está mencionado em uma investigação, você tem que torcer para a investigação chegar até o final. Essa é a minha posição”, afirmou.

Haddad evitou citar nominalmente os integrantes da corte aos quais se referia e sustentou que o princípio deve valer igualmente para todos, independentemente de posição política, cargo ou ideologia.

“O que vale para Chico tem que valer para Francisco. Todo mundo está regido pelo mesmo ordenamento jurídico”, disse.

“Você tem que colaborar com a investigação”

Na entrevista, Haddad afirmou que, se fosse pessoalmente mencionado em uma investigação, tomaria a iniciativa de disponibilizar aos investigadores seus dados e documentos.

“Se amanhã alguém falar qualquer coisa a meu respeito, eu vou falar: ‘Não precisa nem quebrar sigilo nem nada. Está aqui, meu e-mail é esse, minha conta corrente é essa, os meus filhos estão aqui, está tudo aqui’. Não tem segredo na minha vida.”

O ex-ministro reforçou que pessoas que consideram não ter cometido irregularidades deveriam contribuir para o esclarecimento completo dos fatos.

“Se você não deve em nada, você tem que torcer para o investigador chegar à verdade. Você tem que colaborar com a investigação para chegar às últimas consequências”, afirmou.

Haddad cita ministros mencionados em mensagens

Sem mencionar nomes, Haddad fez referência a ministros que aparecem em materiais relacionados às investigações e defendeu que Ministério Público e Polícia Federal tenham liberdade para apurar os fatos.

“Tem alguns ministros citados em várias mensagens, em contrato, coisas duvidosas, deixa o Ministério Público e a Polícia Federal fazer o trabalho e atestar a idoneidade ou não, e você, se for processado, você vai ter o tempo de se defender”, declarou.

A existência de menções ou citações em materiais investigativos, por si só, não comprova participação em irregularidades. Cabe às autoridades responsáveis pelas apurações determinar a existência ou não de eventuais ilícitos.

“Esse caso não pode terminar em pizza”

Haddad também defendeu que as investigações relacionadas ao Banco Master sejam conduzidas até o fim e classificou a crise como um episódio de grande gravidade para as instituições brasileiras.

“Esse caso não pode terminar em pizza”, afirmou.

Segundo ele, as suspeitas envolvendo operações financeiras, fundos de pensão, CDBs, precatórios e outras transações precisam ser completamente esclarecidas, com eventual responsabilização daqueles contra os quais forem comprovadas irregularidades.

Haddad também voltou a defender maior transparência sobre as investigações antes das eleições, para que os eleitores possam conhecer as informações disponíveis sobre o caso.

Crise no Supremo

Questionado especificamente sobre a crise no STF, Haddad a classificou como “a coisa mais lamentável das últimas décadas”.

“O Supremo é a instituição que é o guardião da Constituição, então é uma coisa muito lamentável o que está acontecendo”, afirmou.

O ex-ministro também comentou o pedido de vista do ministro Flávio Dino em uma discussão relacionada ao caso. Para Haddad, uma paralisação prolongada das apurações seria negativa.

As declarações reforçam a posição que o ex-ministro vem adotando diante dos desdobramentos do caso Master: defesa da continuidade das investigações, transparência sobre os fatos e aplicação das mesmas regras às diferentes autoridades mencionadas nas apurações.