247 – A China prepara uma nova etapa de sua estratégia para consolidar a liderança mundial na indústria automobilística, combinando veículos de energia nova (NEVs, na sigla em inglês), inteligência artificial, conectividade e sistemas avançados de direção autônoma. As informações são da Xinhua e do Global Times.

O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China (MIIT) e outros oito departamentos divulgaram um plano de desenvolvimento que estabelece metas até 2030 e busca fortalecer toda a cadeia produtiva dos veículos de energia nova conectados e inteligentes.

Para Pequim, essa indústria tornou-se uma das principais forças da transformação tecnológica do setor automotivo e um componente importante da construção de um sistema industrial moderno.

China já lidera produção mundial

A nova estratégia parte de uma indústria que alcançou escala sem precedentes.

Em 2025, a China produziu 34,53 milhões de veículos e vendeu 34,4 milhões, mantendo a liderança mundial do setor automobilístico pelo 17º ano consecutivo.

O avanço dos veículos de energia nova foi ainda mais expressivo. Foram produzidos quase 16,63 milhões de NEVs e vendidos 16,49 milhões no ano passado.

Nesse segmento, a China manteve a liderança mundial pelo 11º ano consecutivo.

Os números mostram como os veículos elétricos e outras tecnologias de energia nova deixaram de representar um nicho e passaram a ocupar posição central na indústria automobilística chinesa.

Inteligência artificial chega aos automóveis

A próxima transformação deverá ocorrer principalmente pela integração da inteligência artificial aos veículos.

Em 2025, cerca de 64% dos automóveis de passageiros vendidos na China já possuíam funções de assistência ao condutor de nível 2.

Em 2026, esse percentual chegou a aproximadamente 70%.

Mais de 30% dos veículos também oferecem sistemas de condução assistida por navegação, capazes de executar parte significativa das tarefas de direção sob supervisão humana.

Ao mesmo tempo, tecnologias classificadas como nível 3, de automação condicional, começam a deixar os ambientes fechados de testes para entrar em aplicações comerciais.

A mudança representa uma etapa importante para a industrialização em larga escala da condução automatizada.

Baterias, chips e carregamento avançam

A transformação não está limitada aos softwares de direção.

Nos últimos anos, empresas chinesas registraram avanços em baterias, sistemas de carregamento, chips automotivos, plataformas eletrônicas e tecnologias de condução inteligente.

Parte dessas tecnologias já está sendo aplicada comercialmente em grande escala.

O novo plano pretende aprofundar esse processo, estimulando especialmente sistemas de energia, chassis inteligentes, conectividade e integração entre hardware e inteligência artificial.

A estratégia também prevê reforçar padrões de qualidade, segurança e confiabilidade.

NEVs deverão alcançar 70% das vendas

As metas estabelecidas para 2030 indicam a dimensão da transformação pretendida.

Até o final da década, os veículos de energia nova deverão representar aproximadamente 70% das vendas de automóveis de passageiros na China.

Nos veículos comerciais, a participação deverá chegar a cerca de 40%.

O governo também espera uma disseminação muito maior das funções avançadas de condução automatizada, inclusive em rodovias e ambientes urbanos.

O objetivo é transformar simultaneamente a matriz energética dos automóveis e a própria maneira como os veículos são conduzidos.

Consumo de energia deverá cair

O plano estabelece ainda metas de eficiência energética.

Até 2030, o consumo médio de combustível dos veículos deverá chegar a aproximadamente 3,3 litros por 100 quilômetros.

Nos automóveis elétricos, o objetivo é atingir consumo médio próximo de 11,5 kWh por 100 quilômetros.

O aumento da eficiência deverá caminhar junto com melhorias na segurança dos sistemas automatizados e na confiabilidade dos componentes.

Automóvel se transforma em plataforma tecnológica

A estratégia chinesa mostra que a competição mundial na indústria automobilística está deixando de ocorrer apenas em torno de motores, preço e capacidade produtiva.

Baterias, semicondutores, inteligência artificial, sensores, softwares, conectividade e capacidade de processamento passam a definir cada vez mais a competitividade dos fabricantes.

Nesse cenário, o automóvel torna-se uma plataforma tecnológica integrada a diferentes cadeias industriais.

Para a China, os veículos de energia nova conectados e inteligentes também representam aquilo que o país denomina de novas forças produtivas de qualidade — setores baseados em inovação capazes de impulsionar produtividade, modernização industrial e desenvolvimento tecnológico.

Ao estabelecer metas até 2030, Pequim pretende agora transformar a vantagem conquistada na produção de veículos elétricos em uma liderança mais ampla na próxima geração da indústria automobilística: carros elétricos, conectados, inteligentes e progressivamente autônomos.