O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, alterou a forma de pagamento do filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, depois de enfrentar sucessivas dificuldades para enviar dinheiro ao exterior via câmbio. Mensagens extraídas de seu celular e obtidas pela Polícia Federal revelam a mudança, ocorrida em fevereiro de 2025, quando ele sugeriu usar a empresa Entre Investimentos e Participações para viabilizar as transferências.

Segundo a reportagem, Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, tentaram por dias resolver o problema. Em 5 de fevereiro, Vorcaro escreveu: "vamos fazer via entre". Oito dias depois, a Entre transferiu US$ 2 milhões para o Havengate Development Fund LP, fundo sediado nos Estados Unidos. No dia seguinte, Zettel enviou o comprovante com a palavra "filme!".

Investigação e valores

A Polícia Federal apura o destino dos recursos. Segundo a investigação, a Entre realizou sete transferências para o Havengate entre fevereiro e setembro de 2025, somando US$ 12,33 milhões. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) havia solicitado R$ 131 milhões a Vorcaro para a produção, e planilhas indicam que cerca de R$ 60 milhões foram quitados. O parlamentar, candidato à Presidência, nega irregularidades.

As conversas começaram em dezembro de 2024, quando o publicitário Thiago Miranda enviou documentos do projeto, então chamado "Capitão do Povo". O acordo previa investimento total de US$ 24 milhões, com parcelas. Em janeiro, cobranças por pagamento aumentaram, mas Zettel admitiu que não havia enviado nada. Vorcaro classificou o projeto como prioridade máxima.

Dificuldades e nova estratégia

Em 29 de janeiro, Zettel relatou que sua empresa não tinha cadastro para a operação. Ele perguntou se poderia usar outra estrutura. No dia seguinte, informou que o valor seria de US$ 2 milhões. O impasse persistiu, com Vorcaro cobrando ansiosamente. Em 3 de fevereiro, Zettel disse que estava tentando resolver, mas o envio continuava travado.

Dois dias depois, Vorcaro propôs a operação "via entre", referindo-se à empresa de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como "Mineiro". Mesmo assim, o câmbio retornou problemas. Em 11 de fevereiro, Zettel afirmou que o banco não queria fazer a operação por causa de cadastro e informações "meio estranhas". Vorcaro insistiu: "preciso resolver HOJE". A primeira transferência só ocorreu em 13 de fevereiro.

Após o primeiro pagamento, as cobranças continuaram. Em março, Miranda alertou que apenas a primeira parcela tinha sido quitada. Vorcaro pediu a Zettel que controlasse os repasses. Em agosto, uma tabela mostrava quase US$ 24 milhões previstos, mas apenas US$ 10,67 milhões recebidos. Em outubro, Miranda avisou que a produção poderia parar se não houvesse pagamento. Vorcaro disse que liberou mais uma parcela, mas documentos indicam que ela não chegou a ser efetivada.