247 – Os governos do Brasil e da China avançaram nas conversas sobre inteligência artificial, computação de alto desempenho, tecnologia espacial, satélites e minerais estratégicos, com a preservação da autonomia brasileira entre os pontos defendidos nesta quinta-feira (17) por Celso Amorim, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A entrevista foi concedida à teleSUR em Pequim, onde o diplomata estreita a cooperação tecnológica entre os dois países.
“O principal recado é uma avaliação positiva do progresso alcançado recentemente em várias áreas, incluindo computação e supercomputação, espaço e satélites, além da expectativa de trabalho conjunto em inteligência artificial, com base em tecnologia de código aberto e padrões éticos aceitáveis.”
O assessor de Lula havia se reunido na quarta-feira (16) com o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi. Durante o encontro, Amorim entregou ao chanceler uma carta de Lula dirigida a Xi Jinping. O Ministério das Relações Exteriores chinês confirmou a reunião e informou que Wang transmitiu ao representante brasileiro uma saudação do presidente chinês a Lula.
De acordo com o governo chinês, Wang Yi afirmou que a relação entre Brasil e China avançou nos últimos anos de uma parceria estratégica abrangente para uma “comunidade com um futuro compartilhado”. O chanceler também defendeu maior coordenação entre os dois países e associou a cooperação bilateral à articulação entre as nações do Sul Global.
Os representantes dos dois governos também abordaram questões internacionais. A chancelaria chinesa informou que Amorim e Wang Yi trocaram avaliações sobre a situação no Oriente Médio, na América Latina e na Ucrânia. Pequim defendeu que Brasil e China ampliem a coordenação em fóruns multilaterais e aprofundem projetos em diferentes áreas.
Inteligência artificial e autonomia tecnológica
A inteligência artificial ocupou espaço central nas declarações de Amorim. O assessor presidencial destacou o potencial de sistemas baseados em código aberto para permitir que países desenvolvam aplicações próprias e reduzam dependências tecnológicas.
“Não estamos preocupados com qual será a reação deste ou daquele país. O que importa é que a WAICO contempla a inteligência artificial baseada em tecnologia de código aberto.”
O Brasil participou da criação da World AI Cooperation Organization (WAICO), organização intergovernamental voltada à cooperação internacional em inteligência artificial. A iniciativa mantém sede em Xangai e inclui entre seus objetivos o intercâmbio científico, tecnológico e o desenvolvimento de ecossistemas de código aberto.
A posição apresentada por Amorim coloca a autonomia no centro da estratégia brasileira para a cooperação tecnológica. Na avaliação apresentada à emissora, Brasília pode trabalhar com parceiros externos em áreas avançadas sem abrir mão da capacidade nacional de desenvolver aplicações e definir suas próprias prioridades.
A China também manifestou interesse na participação brasileira em mecanismos internacionais de inteligência artificial. No encontro de quarta-feira, Wang Yi citou a decisão do Brasil de integrar a organização internacional dedicada à cooperação em IA e afirmou que Pequim pretende atuar com Brasília no desenvolvimento e na aplicação da tecnologia.
Supercomputação, espaço e recursos minerais
Além da inteligência artificial, Amorim relacionou a cooperação em computação e supercomputação às conversas mantidas em Pequim. O desenvolvimento dessas capacidades integra uma agenda que também envolve programas espaciais, satélites e recursos necessários para indústrias de tecnologia avançada.
Minerais críticos e terras raras entraram nesse conjunto de temas. Esses recursos possuem aplicações em setores como computação, energia, indústria espacial e produção de equipamentos tecnológicos. Amorim tratou a área como parte da discussão sobre desenvolvimento tecnológico e autonomia brasileira.
A agenda amplia uma relação bilateral que já reúne projetos em diferentes setores e ganha um componente tecnológico mais amplo com as discussões sobre inteligência artificial, supercomputação e infraestrutura científica.
Carta de Lula e eleições de 2026
Na entrevista coletiva desta quinta-feira, o porta-voz Guo Jiakun foi questionado sobre qual avaliação Pequim fazia da carta enviada por Lula a Xi Jinping. Guo não revelou o conteúdo do documento e destacou a comunicação entre os dois presidentes e o nível das relações políticas entre Brasil e China.
A emissora também perguntou ao governo chinês sobre as pressões dos Estados Unidos contra o Brasil, citando críticas de Washington à atuação brasileira contra o crime organizado, discussões sobre possíveis sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal e o contexto das eleições presidenciais brasileiras de 2026.
Guo respondeu que a China segue o princípio de não interferência nos assuntos internos de outros países e afirmou que Pequim deseja ao Brasil uma eleição “estável e tranquila”. A manifestação consta da transcrição oficial da coletiva publicada pelo Ministério das Relações Exteriores da China nesta quinta-feira.
A passagem de Amorim por Pequim ocorreu entre 16 e 17 de setembro. A chancelaria chinesa havia anunciado previamente que Wang Yi receberia o assessor de Lula e, após a reunião, informou que os dois governos pretendem ampliar a cooperação prática e a coordenação em temas internacionais.






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