Um mês antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, a instituição transferiu direitos judiciais avaliados em R$ 1,44 bilhão para a Entre Investimentos, empresa controlada por Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, no Rio de Janeiro. O acordo foi firmado entre 7 e 9 de outubro de 2025.

A Entre assumiu o compromisso de pagar R$ 1,28 bilhão pelo conjunto de créditos, mas a liquidante do banco diz não ter encontrado comprovação de que o Master tenha recebido os valores previstos nos contratos.

Operação entrou na mira da liquidante

Segundo a administradora da liquidação, não foi possível confirmar o pagamento nem identificar a origem dos recursos ou dos ativos eventualmente entregues em troca. A Justiça analisa o caso, e a liquidante tenta impedir a transferência dos ativos enquanto as autoridades examinam a operação.

O negócio envolveu seis créditos de precatórios, com desconto de 10,8% sobre o valor total dos ativos. Os títulos estão ligados a pedidos de indenização de usinas de açúcar contra a União, em processos que podem levar décadas até a conclusão.

Seis usinas e outros desdobramentos

Os contratos incluíram créditos relacionados à Açucareira Central Sumaúma, Usina Catende, Usina São João, Açucareira Paraíso, Usina Outeiro e Agrícola Baixa Grande. A carteira ligada à Usina Catende responde por quase dois terços do valor transferido à empresa de Freixo Júnior, segundo a reportagem citada no texto original.

Freixo Júnior também era operador financeiro de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que está preso por suspeita de participação em um esquema bilionário de fraudes financeiras investigado pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do banco em 18 de novembro de 2025.

Na apuração mencionada, a Entre Investimentos também aparece em outras frentes investigadas pela Polícia Federal, incluindo movimentações associadas a imóveis, aeronaves, embarcações, participações em hotéis e recursos ligados ao projeto cinematográfico “Dark Horse”.

Antônio Carlos Freixo Júnior firmou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República no início de setembro, homologado pelo ministro André Mendonça, do STF, segundo o texto original.