Uma ventania com rajadas próximas de 100 km/h, acompanhada de chuva intensa, atingiu Maringá, no Norte do Paraná, na madrugada desta segunda-feira (2). Árvores caíram, ruas ficaram bloqueadas e o quartel do Corpo de Bombeiros foi destelhado. O prefeito Silvio Barros anunciou um decreto de calamidade pública para agilizar a resposta aos danos.

Quartel dos bombeiros destelhado

De acordo com os bombeiros, a força do vento arrancou a estrutura metálica do telhado e a projetou sobre o pátio da unidade, atingindo ao menos cinco viaturas administrativas leves, que aguardam avaliação pericial. Uma árvore caiu sobre a estrutura do estacionamento, atingiu uma viatura de Auto Ambulância, com danos leves, e deixou uma viatura de Auto Transporte de Materiais retida sob os escombros.

O destelhamento alagou todas as seções do Estado-Maior, no pavimento superior, incluindo a sala do servidor da unidade. A guarnição de serviço, de 10 militares, protegeu computadores e estações de trabalho com lonas. Possíveis avarias nos equipamentos ainda estão sendo contabilizadas. Não houve feridos.

Para reforçar o atendimento, o Comando-Geral do CBMPR enviou equipes de Cascavel, Londrina, Ponta Grossa e Curitiba, que atuarão prioritariamente no corte, poda e desobstrução de vias com árvores caídas.

Cidade em "clima de guerra"

Em pronunciamento, Silvio Barros disse que percorreu avenidas e bairros e encontrou "um caos total". Segundo ele, "a situação foi um clima de guerra na cidade inteira". O prefeito pediu "reforço, solidariedade, cooperação" e o restabelecimento rápido das comunicações. Uma das primeiras ações da prefeitura foi liberar o acesso para que Bombeiros e Copel pudessem atuar.

Às 10h20, a Copel informava que 82,2 mil imóveis estavam sem energia em Maringá. Dezenas de árvores caíram, algumas arrancadas pela raiz, e comércios e barracões foram danificados. Na Avenida Colombo, trecho urbano da BR-376, uma queda de árvore bloqueou totalmente a via, segundo a Polícia Rodoviária Federal. Equipes trabalham na desobstrução. A Defesa Civil municipal ainda não divulgou balanço de feridos, desabrigados e desalojados.

O decreto permite contratações emergenciais e a liberação de recursos para atender a população. O governador Ratinho Júnior (PSD) se manifestou nas redes sociais sobre os estragos.

Os números do vento e da chuva

No aeroporto de Maringá, as rajadas chegaram a 96,3 km/h às 3h11, 3h14 e 3h17. Às 3h30, a estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou 96,8 km/h, enquanto a do Simepar marcou 81 km/h. Os valores vêm de estações diferentes. Entre 0h e 11h15, o Simepar contabilizou 63,6 milímetros de chuva na cidade.

O Simepar ressalta que não é preciso haver tornado para haver destruição: uma rajada linear acima de 90 km/h, que não precisa girar, já causa grandes danos. Em Altônia, a estação do instituto registrou a maior rajada do estado, de 109,1 km/h, à 0h30.

O temporal também atingiu outras cidades. Em Marquinho, na região Centro-Sul, o granizo destelhou casas, escolas e postos de saúde no domingo (1º), e a prefeitura estima que até 70% do município tenha sofrido estragos. Em todo o estado, 172,7 mil unidades estavam sem energia na manhã de segunda, segundo a Copel.

A previsão do Simepar indica chuva no Paraná pelo menos até sábado (7), com alertas de temporais durante a semana, risco de queda de árvores, alagamentos e destelhamentos. Para quarta-feira (4), há possibilidade de supercélulas na metade sul do estado, e para quinta-feira (5), de temporais potencialmente severos na metade norte, com a formação de um ciclone extratropical e o avanço de uma frente fria.

Com informações de Banda B, G1 Paraná, Bem Paraná.