O Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) confirmou que o temporal que devastou Maringá, no Noroeste do estado, na madrugada de segunda-feira (2), foi um tornado de categoria F2 na escala Fujita. A classificação, preliminar, foi apresentada em coletiva da Prefeitura na terça-feira (3). O fenômeno percorreu cerca de 15 km, a partir da região sudoeste da cidade, com ventos entre 180 km/h e 250 km/h.
Como o tornado foi identificado
Segundo o meteorologista Marco Jusevicius, coordenador de operações do Simepar, a classificação veio de vistorias em campo, sobrevoo de helicóptero, imagens de drones e análise dos danos em construções, árvores e outras estruturas. Telhas foram arremessadas a mais de 1.300 metros, e folhas de zinco, a mais de 300 metros. Havia ainda estruturas de alvenaria retorcidas e copas de árvores arrancadas.
As estações fixas registraram rajadas menores: 96,8 km/h no Inmet e 81 km/h no Simepar. A escala Fujita relaciona os impactos observados à velocidade estimada do vento. "Essa é uma classificação preliminar, que ainda poderá ser revisada conforme o avanço das investigações", afirmou Jusevicius.
Estragos e calamidade pública
Os danos atingiram cerca de 40% do município. Casas ficaram destelhadas, árvores foram arrancadas e a estrutura do Corpo de Bombeiros perdeu parte da cobertura. A Prefeitura decretou estado de calamidade pública. Até a tarde de terça, a cidade contabilizava 862 quedas de árvores: 450 já tinham sido retiradas e cerca de 400 aguardavam remoção. O número pode crescer.
Na rede elétrica, 86 mil domicílios ficaram sem energia no início dos trabalhos. A Copel contabilizou 174 postes quebrados e mobilizou cerca de 900 eletricistas e técnicos. Os distritos de Floriano e Iguatemi já tiveram o fornecimento restabelecido. Em Maringá, cerca de 44 mil domicílios foram normalizados, e outros 42 mil aguardam. A companhia prevê concluir a recuperação da rede até sexta-feira (6). A Sanepar retomou o abastecimento de água e segue normalizando o serviço.
Na saúde, a UPA Zona Norte, que havia suspendido os atendimentos por falta de energia, voltou a receber pacientes. A UPA Zona Sul e o Hospital Municipal não pararam. Das 36 Unidades Básicas de Saúde, 22 funcionam normalmente e 14 têm restrições. Segundo a Prefeitura, todas as vacinas da rede municipal foram preservadas. Cinco escolas municipais suspenderam as aulas, e uma já retomou. O transporte coletivo opera com toda a frota, mas algumas linhas tiveram o trajeto alterado.
Atendimento às famílias e apoio de outros governos
Mais de 600 famílias receberam lonas para cobrir imóveis danificados. Em nova etapa, levantamentos da assistência social identificaram famílias que não conseguiram pedir ajuda por falta de telefone e internet em algumas regiões. As equipes farão novas buscas, inclusive com carros de som. Quem perdeu as condições de permanecer em casa pode ligar para (44) 98418-0579. A Vila Olímpica foi preparada para acolher até 75 pessoas, com camas, banheiros e alimentação do Restaurante Popular.
"Nossa prioridade é garantir que ninguém fique desassistido e que as pessoas que perderam suas casas tenham um lugar seguro para ficar", disse o prefeito Silvio Barros. A recuperação envolve cerca de 930 servidores das secretarias de Infraestrutura e de Limpeza Urbana, além de voluntários, Bombeiros, Defesa Civil, Copel e Sanepar. A Prefeitura abriu um cadastro para voluntários e empresas que possam ceder mão de obra, máquinas e caminhões. Não há pedido oficial de doações em dinheiro. Empresas atingidas terão orientação de engenheiros municipais para documentar os prejuízos, e o levantamento embasará pedidos de recursos ao Governo Federal.
Silvio Barros afirmou que conversou com o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, que colocou o governo federal à disposição. O governador Ratinho Junior deve estar em Maringá na quarta-feira (4) para acompanhar a situação e avaliar as demandas da cidade.
Alerta para novas tempestades
O Simepar e a Defesa Civil acompanham a possibilidade de novas tempestades no Oeste e no Noroeste do Paraná. A previsão indica rajadas próximas de 70 km/h e pancadas de chuva fortes e isoladas, principalmente do fim da tarde de terça até quinta-feira (5). A Defesa Civil orienta a população a evitar abrigo sob árvores ou estruturas fragilizadas e a comunicar emergências aos canais oficiais.
Apesar dos estragos, a Prefeitura pretende manter a abertura da Maringá Encantada 2026, marcada para 14 de novembro. A montagem das estruturas natalinas dependerá de avaliações técnicas e das condições de segurança dos espaços públicos.
Com informações de Folha de Londrina, Londrina, Banda B, Bem Paraná.







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