247 – O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, contestou nesta quinta-feira (17) a avaliação do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o Brasil teria falhado no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). Segundo ele, os resultados das operações realizadas no país contradizem a conclusão apresentada por Washington.
De acordo com o ministro, os números das ações contra o crime organizado demonstram uma intensificação da atuação das forças de segurança. “O Estado americano verificará que essa hipótese não se confirma, não é consistente. Os números que apresentamos são superiores ao que existia antes”, disse o ministro durante entrevista no Escritório Nacional Antifacção, no Centro do Rio de Janeiro, segundo o G1.
A manifestação ocorre depois de o governo Trump criticar o Brasil em uma determinação presidencial enviada ao Congresso estadunidense. O documento afirma que o governo brasileiro falhou no enfrentamento ao PCC e ao Comando Vermelho e cobra medidas mais firmes contra as duas organizações.
Apesar da crítica, o Brasil não integra a lista formal de 23 países classificados pelos Estados Unidos como grandes produtores de drogas ilícitas ou importantes pontos de trânsito do narcotráfico.
Wellington argumentou que o país ampliou a repressão às organizações criminosas e destacou a integração entre diferentes órgãos de segurança pública. Na avaliação do ministro, o Brasil atravessa o “momento mais maduro” da resposta estatal às facções. “Ficará nítido o esforço do Estado brasileiro nessa defesa e no combate ao crime organizado”, afirmou.
Brasil ficou fora da lista de 23 países
Ao responder ao posicionamento de Washington, Wellington destacou que a crítica feita ao Brasil precisa ser diferenciada das classificações formais presentes no documento norte-americano.
“Se não figuramos na lista dos 23 países consolidada nessa iniciativa enviada ao Congresso, a referência ao Brasil foi um comentário lateral. A inclusão na lista, que tem categoria jurídica, não aconteceu”, afirmou.
De fato, a determinação presidencial relaciona 23 países considerados grandes produtores de drogas ilícitas ou importantes locais de trânsito de entorpecentes, mas não inclui o Brasil. O país também não aparece entre os governos que, segundo Washington, teriam falhado de maneira demonstrável no cumprimento de compromissos internacionais antidrogas.
A crítica ao Brasil, contudo, aparece separadamente no documento. A Casa Branca sustenta que o governo brasileiro não teria enfrentado adequadamente o PCC e o Comando Vermelho e associa as duas facções à circulação internacional de cocaína.
Ministro destaca ofensiva contra o crime organizado
Wellington citou ações recentes das forças de segurança como contraponto à avaliação estadunidense. Entre elas estão operações de alcance nacional destinadas a atingir não apenas integrantes das organizações criminosas, mas também seus recursos financeiros e estruturas de apoio.
Em outra declaração concedida nesta quinta-feira, o ministro mencionou uma operação realizada em 19 estados que resultou no bloqueio de mais de R$ 500 milhões ligados ao crime organizado.
O titular da Justiça também destacou mudanças legais e a ampliação da capacidade operacional das forças de segurança como elementos da estratégia brasileira de enfrentamento às facções.
Segundo Wellington, esse trabalho depende da integração entre Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Penal Federal, forças estaduais, guardas municipais e Receita Federal, além da atuação, dentro de suas atribuições, do Ministério Público e do Poder Judiciário.
A estratégia busca combinar investigações, prisões, apreensões e bloqueios patrimoniais para atingir tanto a estrutura operacional quanto o financiamento das organizações criminosas.
Operação mira comércio irregular de celulares
As declarações do ministro foram dadas durante uma coletiva sobre uma operação nacional contra irregularidades na comercialização de telefones celulares.
A ação, desenvolvida no âmbito do programa Celular Seguro, alcançou cerca de 200 estabelecimentos em 15 estados nesta quinta-feira. O objetivo, segundo o Ministério da Justiça, é atingir a cadeia criminosa relacionada ao roubo, furto, receptação e posterior revenda de aparelhos.
A operação prossegue nesta sexta-feira (18).
Ao abordar a iniciativa, Wellington vinculou esse tipo de ação à estratégia mais ampla de integração das forças de segurança. O objetivo é atacar diferentes etapas das atividades criminosas, incluindo os mercados utilizados para comercializar bens roubados ou furtados.
O ministro citou ainda outras ofensivas recentes contra organizações criminosas, entre elas uma operação que envolveu cerca de 100 mandados de busca e de prisão, além do bloqueio de milhões de reais.






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