247 – A Natura anunciou nesta quinta-feira (17) a emissão de R$ 700 milhões em debêntures vinculadas a metas de sustentabilidade, com condições financeiras associadas ao aumento da participação de plástico reciclado pós-consumo e de fonte renovável nas embalagens elegíveis de produtos acabados das marcas Natura e Avon.
O UBS BB coordenou a operação, estruturada como Sustainability-Linked Bond (SLB). Segundo levantamento do banco, trata-se da primeira debênture corporativa emitida no Brasil alinhada ao Sustainable Bonds for Nature: A Practitioner’s Guide, da International Capital Market Association (ICMA), estabelecido em 2025. A Natura apresenta ainda a transação como a primeira emissão de Nature Bond do setor global de cosméticos com foco em plástico.
O indicador associado ao título mede, em peso, a participação de plástico considerado sustentável sobre o volume total de plástico utilizado nas embalagens incluídas na operação. O cálculo reúne plástico reciclado pós-consumo, conhecido pela sigla PCR, e plástico proveniente de fonte renovável elegível.
A referência inicial do indicador é de 21%, registrada em 2022. A Natura se comprometeu a elevar essa participação para 43% em 2028 e 46% em 2029. A companhia mantém também a meta pública de alcançar 50% de plástico sustentável em 2030.
Com a emissão, a empresa afirma que 65% de seus títulos passam a estar vinculados a indicadores socioambientais. O objetivo da Natura é chegar a 100% das emissões atreladas a esse tipo de compromisso.
A diretora financeira da Natura, Silvia Vilas Boas, relacionou a operação à Visão 2050 da companhia e à estratégia de ampliar o uso de materiais renováveis no portfólio.
“Com o lançamento da nossa Visão 2050, nos comprometemos a ser uma empresa 100% regenerativa até 2050. Para isto, 100% dos plásticos de nosso portfólio terão origem renovável e serão compostáveis. Assim, ao vincular as condições financeiras da emissão a metas mensuráveis de plástico sustentável, transformamos uma prioridade material de circularidade em compromisso financeiro”, disse.
Segundo a empresa, o novo instrumento amplia a estratégia de circularidade ao associar o financiamento a metas destinadas a reduzir a dependência de plástico fóssil virgem. O compromisso abrange tanto o aumento do material reciclado pós-consumo quanto o avanço de matérias-primas de origem renovável.
Frederic de Mariz, responsável por Sustainable Markets Advisory Americas no UBS BB, afirmou que a estrutura busca conectar as metas ambientais às condições do financiamento.
“Esta emissão de nature bond demonstra como sustentabilidade, operações e finanças podem convergir em um único instrumento. Ao conectar seu compromisso com a circularidade a uma estrutura inovadora, a Natura reafirma de forma coerente e pioneira o alinhamento entre sua estratégia de negócio e sua visão de regeneração de longo prazo. Temos orgulho de apoiar uma transação que contribui para o avanço do mercado de finanças sustentáveis no Brasil.”
Estratégia de finanças sustentáveis
A Natura começou sua trajetória com Sustainability-Linked Bonds em 2021, quando realizou uma emissão vinculada, entre outros compromissos, à ampliação da participação de plástico reciclado pós-consumo nas embalagens.
A meta previa alcançar 25% de PCR até 2026. Segundo a companhia, o indicador chegou a 30% em 2025, permitindo o cumprimento antecipado do objetivo.
A empresa também realizou outra emissão vinculada ao uso de bioingredientes amazônicos. Com o novo título focado em plástico sustentável, a Natura afirma avançar na estratégia de associar suas captações financeiras a indicadores ambientais e sociais mensuráveis.






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