Se você ainda tinha dúvida sobre o que Londrina pensa deste segundo turno, bastava estar na Saul Elkind no sábado à tarde. Quarteirões inteiros tomados de gente a pé, vermelho até onde a vista alcança, bandeiras do Brasil, do arco-íris, cartazes do Minha Casa Minha Vida erguidos no meio da multidão. Não era buzinaço de carro importado. Era o povo da zona norte andando junto, ocupando a rua como quem sabe que o asfalto é seu.

Do outro lado da cidade, o bolsonarismo juntou o que pôde: uma rotatória, uns carros com bandeira na janela e a ilusão de que barulho de motor substitui presença de gente. A comparação das imagens aéreas é brutal — e diz tudo sobre quem realmente movimenta esta cidade quando resolve sair de casa.

Londrina já deu o recado. Agora é com as urnas. E não adianta chorar golpe depois: a democracia está funcionando, e quem perdeu espaço nas ruas vai perder nas zonas eleitorais também.

Emprego tem, mas não é pra todo mundo

Enquanto a política esquenta, a vida real segue cobrando conta no fim do mês. A boa notícia é que tem mutirão de emprego nesta segunda-feira, com mais de 200 vagas para servente de limpeza e auxiliar de serviços gerais na UEL, no HU e em outros hospitais. Salário de até R$ 1,9 mil, vale-alimentação de R$ 900 — não é pouco para quem precisa.

Mas vamos combinar: continua sendo serviço pesado, essencial, que sustenta hospital e universidade funcionando, e que ainda paga menos do que deveria. A cidade oferece vaga, sim, mas nem sempre oferece dignidade na mesma medida. Quem vai limpar o chão do HU merece o mesmo respeito de quem trabalha de jaleco — e o salário tinha que acompanhar essa lógica.

Além disso, o Espro abriu 54 vagas de jovem aprendiz, e as Agências do Trabalhador do Paraná estão com mais de 27 mil vagas abertas em várias regiões do estado. Oportunidade não falta — mas é bom lembrar que vaga sem formação, sem transporte público decente e sem moradia acessível vira só número em planilha de secretaria.

A cidade não para (nem quando chove granizo)

Falando em vida real: choveu granizo em Arapongas na quinta-feira, com alagamento, telha quebrada e Defesa Civil distribuindo lona. Ninguém ficou ferido, mas a estrutura da cidade — calha entupida, forro rachado, falta de prevenção — mostrou de novo que temporal no Norte do Paraná não é novidade, mas a gente continua sendo pego de surpresa.

Enquanto isso, Londrina teve sol, tempo seco e aquele calor de fim de outubro que faz a umidade despencar e a pele rachar. A previsão para esta semana é de chuva voltando aos poucos, então já sabe: guarda-chuva no carro e espera pelo caos no trânsito da Higienópolis quando a primeira gota cair.

Hoje é dia de decidir. Não de carreata, não de motocicleta com bandeira, mas de fila, caneta e papel. A Saul Elkind já mostrou de que lado Londrina está. Agora falta apertar o botão da urna — e torcer para que, a partir de amanhã, quem ganhar lembre que cidade se constrói com escola, hospital, asfalto e respeito. Não com ódio, mentira e rotatória vazia.

A coluna Pé Vermelho sai todo domingo na seção Londrina do Você Viu Isso?. É opinião: os fatos estão nas matérias citadas.