A dois dias do segundo turno, um site em forma de roleta virou ferramenta para quem quer conhecer a ficha de Flávio Bolsonaro (PL) antes de apertar a tecla na urna. O Crimeta Russa reúne 28 casos da vida pública do senador, de "rachadinha" na Assembleia do Rio a inquéritos que hoje correm no Supremo Tribunal Federal. O leitor gira a roleta, recebe um caso por sorteio e lê o contexto, a situação atual e os links das reportagens e documentos que sustentam cada relato.
O próprio site separa o que é denúncia, investigação, caso arquivado e episódio sem imputação penal, e avisa que investigação não é condenação. Cada ficha leva um carimbo de status, como "investigação em curso", "denúncia rejeitada", "fato documentado" ou "relato jornalístico". O acervo foi atualizado em 21 de outubro.
O que a roleta sorteia
Os inquéritos abertos. O caso mais pesado é o do filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. Segundo reportagens do G1, da piauí e do Intercept citadas no site, Flávio pediu US$ 24 milhões a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e pelo menos R$ 61 milhões chegaram por um fundo no Texas ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro. Flávio é investigado no STF desde julho, e em 16 de outubro a Polícia Federal pediu mais 90 dias de apuração. Um segundo inquérito, aberto em outubro com relatoria de Alexandre de Moraes, apura a conta de uma offshore do advogado Willer Tomaz em que Flávio aparece como "usuário master". A PF também passou a apurar o financiamento de R$ 3,1 milhões do BRB, banco público, para a mansão do senador no Lago Sul, a juros abaixo da média do próprio banco.
A milícia por perto. Várias fichas tratam da relação com nomes ligados à milícia do Rio: a Medalha Tiradentes entregue em 2005 a Adriano da Nóbrega, então preso, depois apontado como chefe do Escritório do Crime; a mãe e a mulher de Adriano empregadas no gabinete; a homenagem ao major Ronald Pereira, condenado em 2026 pelo STF a 56 anos pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes; e a emenda de quase R$ 200 mil liberada depois de um pedido de Robson Calixto, o "Peixe", condenado no mesmo caso.
O dinheiro e a rachadinha. O site relembra a denúncia do Ministério Público do Rio, de 2020, que apontava Flávio como chefe de um esquema de R$ 6,1 milhões com salários de assessores da Alerj, os 48 depósitos de R$ 2 mil feitos em cinco dias e a loja de chocolates que, segundo o MP, serviu para lavar o dinheiro. A denúncia foi rejeitada em 2022, depois que STJ e STF anularam as provas, sem julgamento do mérito. O site registra isso em cada ficha.
Os episódios mais recentes. Entram ainda o escritório de advocacia do senador, que emitiu ao menos R$ 13,7 milhões em notas durante o mandato, segundo o UOL; a disputa com o jogador Richarlison por uma mansão em Angra dos Reis; a defesa, como advogado, do policial acusado de matar a menina Ana Clara, de 5 anos, em Niterói; e o passeio de lancha com lobistas da Covaxin no Lago Paranoá em plena pandemia, revelado pela piauí nesta semana.
O outro lado
Em todos os casos, o site registra a resposta de Flávio quando ela existe. Ele nega irregularidades nos inquéritos do Banco Master e de Willer Tomaz, diz que a relação com o advogado é de amizade, afirma que quem contrata com dinheiro de emenda é o município e nega participação na disputa com Richarlison. Sobre os aliados presos, disse em sabatina que foi surpreendido e que quem errou deve responder.
Por que isso importa
O Você Viu Isso? defende a democracia e não esconde o lado: o bolsonarismo tentou um golpe de Estado, atacou as urnas e as instituições, e o candidato que carrega o sobrenome chega ao segundo turno com dois inquéritos abertos no Supremo. Ferramentas como a Crimeta Russa ajudam o eleitor a fazer o que todo eleitor deveria fazer antes de votar: ler, conferir a fonte e decidir com informação. Cada caso tem link. Gire a roleta, leia e tire as suas conclusões.
O site está em crimetarussa.com. A eleição é no domingo, 25 de outubro.







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