247 – O ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou nesta quinta-feira (17), em Washington, que ficou “feliz” ao saber que uma proposta apresentada pelo governo de Donald Trump ao Brasil incluía uma referência à participação de “dissidentes políticos” no processo eleitoral. As declarações foram dadas ao jornal Folha de São Paulo.
Segundo Eduardo, a participação de dissidentes seria necessária em uma democracia. “Os Estados Unidos são uma referência quando se fala em democracia e, numa democracia, tem que ter ampla participação dos dissidentes”, afirmou.
A referência fazia parte de um documento com 21 exigências apresentadas pelo governo Trump ao Brasil em outubro de 2025, durante as negociações para a retirada da tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros.
O documento não especificava quem seria considerado dissidente político pelos Estados Unidos. O Departamento de Estado foi procurado, mas não comentou o conteúdo até a publicação da reportagem.
Eduardo foi condenado em junho de 2026, por unanimidade, pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de prisão, inicialmente em regime semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. A condenação está relacionada à sua atuação nos Estados Unidos contra autoridades do Judiciário brasileiro e à tentativa de impedir a análise da trama golpista.
Eduardo e Paulo Figueiredo se dizem dissidentes
Questionado se considerava a si próprio um dissidente político, Eduardo ouviu o comentarista Paulo Figueiredo afirmar que ele e seus aliados se enquadrariam nessa definição. “Como é que se chama alguém que, ao criticar as autoridades de um país, tem que se exilar em outro? O termo é dissidente. Não tem outro nome”, disse Figueiredo.
Sobre a possibilidade de terem solicitado ao governo estadunidense a inclusão da exigência, Figueiredo negou essa hipótese. “A gente não precisa pedir para incluir, porque é descrição dos fatos. Nós somos dissidentes políticos do governo brasileiro”, afirmou.
Figueiredo também disse considerar uma “pena” que o Brasil, segundo sua avaliação, tenha novamente pessoas classificadas por ele como dissidentes políticos vivendo no exterior. Ele atribuiu essa situação ao ministro Alexandre de Moraes, do STF.
“Isso já aconteceu no passado. Eu tenho muito orgulho do legado da minha família de ter trazido de volta esses dissidentes ao Brasil. E, infelizmente, isso durou um bom tempo. Foi jogado no lixo pelo Alexandre de Moraes”, afirmou.
Novas reuniões com governo Trump
Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo estão em Washington para uma nova rodada de reuniões com integrantes do governo Trump. Os dois afirmaram que terão encontros com autoridades de alto escalão do Departamento de Estado e da Casa Branca, mas não informaram quem serão os interlocutores.
Entre os assuntos previstos estão a retomada das sanções da Lei Global Magnitsky contra Moraes e a adoção de medidas contra outros ministros do Supremo, entre eles Gilmar Mendes e Flávio Dino. Eduardo também afirmou que pretende discutir com integrantes do governo Trump sua preocupação com o processo eleitoral brasileiro.
Segundo o ex-deputado, manifestações de ministros do STF durante a sessão de terça-feira (15) indicariam, na avaliação dele, uma preparação para contestar uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro.
Eduardo também citou as críticas dirigidas a André Mendonça no caso Banco Master. Na avaliação apresentada por ele, manifestações de ministros como Gilmar Mendes e Flávio Dino poderiam futuramente ser utilizadas para sustentar uma alegação de interferência no processo eleitoral.
Ele mencionou ainda a anulação da eleição presidencial da Romênia após acusações de interferência estrangeira como exemplo do tipo de argumento que, segundo afirmou, teme que seja reproduzido no Brasil. “Eu vejo a preparação de uma narrativa pra tentar anular a eleição brasileira”, afirmou Eduardo, acrescentando que relatou essa preocupação a integrantes do governo Trump.
O ex-deputado também direcionou críticas a Alexandre de Moraes e atribuiu ao ministro um interesse pessoal no resultado da eleição, sem apresentar provas para sustentar a acusação.
“O Alexandre de Moraes está jogando a sua vida dentro desse processo. E, nesse tipo de pensamento, e eu me coloco no lugar dele, ele não hesitaria em anular uma eleição brasileira”, disse.
Na sequência, Eduardo voltou a afirmar que haveria uma preparação para contestar o resultado eleitoral: “Se vocês prestaram atenção no julgamento, vocês estão vendo que há uma preparação para anulação das eleições. Há uma preparação”.






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