A jornalista Denise Ribeiro, em uma homenagem póstuma, relembra um episódio crucial em sua juventude que conectou seu sonho de trabalhar no Jornal do Brasil com a generosidade de Zuenir Ventura e a colaboração de colegas. A narrativa destaca a perspicácia de Zuenir e a importância da inovação jornalística.
A história remonta à época em que Denise almejava uma oportunidade no renomado veículo. Conseguiu trabalhos como freelancer no caderno de turismo, coordenado pela amiga Beatriz Horta. Em um encontro casual com Zuenir Ventura, a então jovem jornalista arriscou perguntar sobre a possibilidade de apresentar pautas. Zuenir, conhecido por sua receptividade, indicou que só compraria trabalhos se a pauta fosse “irrecusável”.
A Pauta Irrecusável e o Apoio de Colegas
Inspirada pela notícia do reatamento das relações do Brasil com Cuba, Denise, sem uma pauta concreta em mente, propôs entrevistar os “filhos de Cuba”, crianças criadas no país caribenho devido ao exílio de seus pais. Zuenir, intrigado pela originalidade do tema, considerou a proposta irrecusável e pediu a matéria para o dia seguinte.
Diante do desafio, Denise procurou Beatriz Horta, que a direcionou a Molina, um redator da editoria de política com experiência na repressão, que possuía uma lista de contatos dos “filhos de Cuba”. Com o auxílio de Molina e a orientação de Beatriz, que providenciou carro e fotógrafo, a matéria foi produzida em tempo recorde.
No dia seguinte, a reportagem ganhou destaque na capa do Jornal do Brasil, apresentando entrevistas com Claudia Lamarca e os filhos de Marília Guimarães, entre outros. A repercussão foi imediata, e Denise recebeu um telefonema de Dacio Malta, editor do jornal, que a convidou para integrar a equipe. Esse episódio, marcado pela confiança de Zuenir Ventura e o apoio de seus colegas, solidificou os primeiros passos de Denise no jornalismo, abrindo caminho para anos de sucesso na profissão.






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