Os presidentes da China, Xi Jinping, e dos Estados Unidos, Donald Trump, se encontraram em Washington em uma visita de Estado que visou consolidar a cooperação e estabilizar as relações bilaterais. O encontro ocorreu pouco mais de quatro meses após uma visita anterior de Trump a Pequim. A diplomacia chinesa frequentemente utiliza a metáfora do “grande barco” para descrever a relação entre os dois países, referindo-se à antiga premissa de “atravessar o rio juntos na mesma embarcação”, o tóng zhōu gòng jì. Essa visão ressalta a necessidade de um destino compartilhado para a sobrevivência coletiva.

Xi Jinping enfatizou que China e Estados Unidos devem atuar como parceiros, não rivais, buscando a forma correta de se relacionar. Ele reiterou o compromisso de trabalhar com Trump para conduzir o “gigantesco barco das relações China-Estados Unidos” por um rumo estável, salientando que a cooperação entre os países é essencial para resolver muitos problemas globais. Trump, por sua vez, classificou a presença de Xi como uma “grande visita”, destacando a “cooperação profunda e próxima” e a convicção de que as relações serão bem administradas sob a liderança de ambos.

Acordos e pontos de tensão

Durante o encontro, as equipes econômicas e comerciais dos dois países realizaram consultas que resultaram em um acordo para estender a trégua comercial, conhecida como Acordo de Busan, por mais dois meses, até 10 de janeiro de 2027. Xi ressaltou que uma relação estável demanda tanto a ampliação das áreas de cooperação quanto a redução de problemas. A Inteligência Artificial (IA) também foi um tema central, com os presidentes concordando sobre a importância do diálogo e da cooperação bilateral, embora Xi tenha defendido que o desenvolvimento da IA deve permanecer sob controle humano, em contraste com a rejeição de Trump a um “plano globalista” para sua regulação.

A questão de Taiwan foi abordada, com Xi Jinping reafirmando o “princípio de uma só China” e pedindo a Washington que mantenha sua posição de oposição às reivindicações de independência da ilha. O presidente chinês também apelou pela retomada das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, pela recuperação do Memorando de Entendimento de Islamabad e pelo fim da guerra declarada por Washington. A situação no Oriente Médio, a crise na Ucrânia e a Península Coreana também estiveram na pauta, além da confirmação de apoio mútuo para a organização de eventos como a Reunião de Líderes Econômicos da APEC e a Cúpula de Líderes do G20.

Símbolos e próximos passos

Em um momento simbólico, um bombardeiro B-1 Lancer realizou um sobrevoo durante a recepção a Xi na Base Conjunta Andrews, ao final do hino nacional americano. Enquanto Trump demonstrou surpresa, Xi permaneceu impassível. Entre os gestos de boa vontade, Xi convidou 100 mil jovens americanos para visitar a China nos próximos cinco anos e anunciou o envio de um casal de pandas-gigantes ao zoológico de Atlanta. As primeiras-damas Peng Liyuan e Melania Trump visitaram o Museu Nacional de Arte Asiática, e um jantar de Estado na Casa Branca reuniu líderes tecnológicos de ambos os países.

As discussões sobre a “armadilha de Tucídides” – o risco de conflito quando uma potência emergente desafia uma potência dominante – também ressurgiram. Xi propôs que as forças armadas dos dois países mantenham diálogo regular e aprimorem a comunicação para prevenir crises, sinalizando que a armadilha pode ser superada. A mensagem principal do encontro foi a necessidade de evitar o naufrágio do “gigantesco barco” das relações sino-americanas, lembrando que, assim como na antiga expressão chinesa, aqueles que compartilham uma embarcação não se salvam sozinhos.