O presidente da China, Xi Jinping, começa nesta quarta-feira (23) uma visita de Estado aos Estados Unidos, a convite do presidente Donald Trump. A viagem, que vai até sexta-feira (25), abre uma nova rodada de conversas sobre estabilidade bilateral, cooperação econômica e divergências entre as duas potências.
A visita ocorre após o encontro dos presidentes em Pequim, em maio. Na ocasião, Xi e Trump concordaram em buscar uma relação baseada na estabilidade estratégica e na cooperação durante os próximos três anos. Agora, com as visitas recíprocas em um intervalo de seis meses, especialistas veem uma oportunidade de dar continuidade a esse entendimento, embora reconheçam que ainda há diferenças entre os países.
Diálogo e cooperação internacional
Para o ex-diplomata americano Chas W. Freeman Jr., os interesses internos de China e Estados Unidos favorecem o diálogo. “Os EUA, assim como a China, precisam de um ambiente internacional pacífico para lidar com muitos problemas internos. Portanto, os dois países podem, de fato, coexistir e cooperar”, afirmou ao jornal. Ele ressaltou que as diferenças entre os sistemas políticos e socioeconômicos não impedem uma atuação conjunta em áreas de interesse mútuo.
O comércio é uma das áreas em que a previsibilidade das relações pode ter efeitos mais diretos. Robert Lawrence Kuhn, presidente da Fundação Kuhn, observou que as empresas americanas são sensíveis à instabilidade. “Não é preciso saber muito de economia para entender por que a estabilidade nas relações entre EUA e China é importante”, disse. Kuhn também apontou a presença de produtos chineses no mercado americano, de artigos de consumo a veículos elétricos, baterias e equipamentos de energia solar.
Expectativas para o encontro
A cooperação tecnológica aparece entre as expectativas para o encontro. Anthony Moretti, professor associado da Universidade Robert Morris, na Pensilvânia, citou a possibilidade de os dois países trabalharem juntos em regras internacionais para a inteligência artificial, no enfrentamento das mudanças climáticas e na prevenção de pandemias. “Há muito de bom que pode resultar da colaboração entre as duas nações para enfrentar os problemas mais desafiadores do mundo”, afirmou ao Global Times.
Pesquisadores chineses também atribuíram peso às conversas entre os presidentes. Diao Daming, da Universidade Renmin da China, avaliou que o contato direto pode ajudar a preservar a estabilidade bilateral. Wu Xinbo, da Universidade Fudan, manifestou a expectativa de que as negociações “fortaleçam ainda mais a confiança mútua estratégica entre China e EUA, ajudem os dois países a administrar adequadamente as diferenças por meio do diálogo e ampliem a cooperação prática, trazendo estabilidade e segurança para ambos os países e para o mundo”.
Em Washington, entrevistados pelo jornal associaram a visita à possibilidade de ampliar os intercâmbios entre as sociedades. “Eu adoraria que nossas relações fossem mais abertas”, disse Joe McDonald, professor da Universidade George Washington. O estudante Ethan Wilcox destacou o interesse em avanços na área de inteligência artificial: “Quando os presidentes se reúnem, eu realmente gostaria de ver algum progresso. Quero que sejamos amigos”.
Na véspera da chegada de Xi aos Estados Unidos, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, apresentou a posição de Pequim sobre as conversas. “A China está pronta para trabalhar com os EUA para enriquecer a relação construtiva de estabilidade estratégica sino-americana, ampliar o diálogo e a cooperação e administrar adequadamente as diferenças para contribuir para o bem-estar de ambos os povos e para um mundo pacífico, estável e próspero”, afirmou.






Comentários
Seja o primeiro a comentar.