O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, e o ministro de Assuntos Exteriores, União Europeia e Cooperação da Espanha, José Manuel Albares, pediram uma mobilização global para acelerar o enfrentamento da fome e da pobreza. A demanda surge a quatro anos do prazo final da Agenda 2030 das Nações Unidas, conforme artigo conjunto publicado no sábado (26) pelo jornal espanhol elDiario.es, intitulado “A Aliança Global e o caminho para alcançar a Agenda 2030”.
Os ministros ressaltaram que o mundo ainda está distante de atingir uma parte significativa dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Dados das Nações Unidas citados no texto indicam que apenas 36% das 139 metas dos ODS, para as quais há informações de tendências, estão no caminho certo ou mostram avanços moderados. Dias e Albares enfatizam a ampliação de políticas públicas e do financiamento internacional como prioridades até 2030.
Avanços e desafios
Apesar das dificuldades, os ministros apontam que indicadores recentes demonstram a eficácia de políticas públicas e da cooperação internacional. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estima uma queda no número de pessoas afetadas pela fome no mundo, passando de 733 milhões em 2023 para 645 milhões em 2025. O Banco Mundial também indica uma redução de mais de 60% na extrema pobreza desde 1990. Para Dias e Albares, “os próximos quatro anos serão decisivos” para que esses avanços ganhem escala.
Eles atribuem a persistência da insegurança alimentar a fatores sociais e políticos, não à escassez global de alimentos. “A fome não é consequência da falta de alimentos, mas da desigualdade, da exclusão e das decisões políticas”, afirmam. Conflitos armados, mudanças climáticas, enfraquecimento do multilateralismo e a redução da ajuda oficial ao desenvolvimento são fatores que agravam a situação de populações vulneráveis.
Propostas e a Aliança Global
Diante desse cenário, os ministros defendem a expansão de iniciativas comprovadamente eficazes, como políticas de proteção social, programas de alimentação escolar, apoio a pequenos produtores, inclusão econômica e ações para aumentar a resiliência climática. A igualdade de gênero também é considerada essencial, especialmente pela participação feminina na agricultura familiar e nos sistemas alimentares.
A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada em 2024 durante a presidência brasileira do G20, é vista como central nesse esforço. A iniciativa busca reunir governos, organismos internacionais e instituições para expandir políticas eficazes. Atualmente, a Aliança apoia programas nacionais em 19 países, com Brasil e Espanha na copresidência. Recentemente, os dois países promoveram um encontro na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas para discutir a aceleração das ações contra a fome e a pobreza, focado na transformação de compromissos em medidas concretas.
A principal meta dos próximos anos, segundo os ministros, é superar a fragmentação das iniciativas internacionais e permitir que programas bem-sucedidos alcancem mais pessoas. Eles defendem o aumento de investimentos em políticas integradas, o fortalecimento de parcerias e a ampliação dos mecanismos de financiamento para ações sociais, considerando o momento crucial para a Agenda 2030 e o ODS 2, que visa erradicar a fome até o final da década. “O desafio dos próximos quatro anos é acelerar esses avanços e conseguir que cheguem também àqueles que ainda estão ficando para trás”, concluíram.






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