Na tarde desta terça-feira, a RPC TV, afiliada da Rede Globo no Paraná, cancelou o debate entre candidatos ao Senado que estava marcado para sexta-feira. A decisão ocorreu menos de 24 horas depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar a suspensão da campanha do candidato inelegível Deltan Dallagnol.

O cancelamento, que rompe um acordo prévio com os partidos políticos, estende a proibição de participação a todos os candidatos, mesmo aqueles que não têm qualquer restrição. Na prática, a medida favorece Deltan, que está proibido de participar de debates, e prejudica o direito à informação dos eleitores paranaenses.

Histórico de inelegibilidade

Deltan Dallagnol perdeu o mandato de deputado federal em junho de 2023, um mês após o TSE cassar o registro de sua candidatura nas eleições de 2022. A corte decidiu, por unanimidade, que ele tentou fraudar a Lei da Ficha Limpa ao renunciar ao cargo de procurador para escapar de julgamentos no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) por abuso de autoridade e tentativa de desvio de recursos públicos na Lava Jato.

O TSE declarou Deltan inelegível por oito anos, mas ele vinha mantendo sua candidatura ao Senado com base em decisões parciais do Ministério Público Eleitoral e do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná. Na última segunda-feira, no entanto, a corte suspendeu sua campanha, incluindo participação em debates, comícios e recebimento de recursos, por 5 votos a 2.

Relação com a Lava Jato

A Globo do Paraná foi a principal porta-voz de Sergio Moro e da força-tarefa de procuradores comandada por Deltan durante a Lava Jato. Mensagens reveladas pelo Intercept Brasil e pela Operação Spoofing confirmam a cumplicidade entre a retransmissora e os vazamentos seletivos contra o ex-presidente Lula, que tiveram grande repercussão no Jornal Nacional.

O cancelamento do debate é mais uma evidência da aliança entre a RPC-Globo e Deltan. Os dois votos contrários à suspensão da campanha no TSE foram dos ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, ambos indicados por Jair Bolsonaro.