A expectativa de que o atual cenário eleitoral brasileiro possa se resolver no primeiro turno é vista com ceticismo por observadores políticos. Embora o ex-presidente Lula demonstre favoritismo nas pesquisas, a análise aponta para a alta probabilidade de um segundo turno, similar a pleitos anteriores onde, mesmo com margens favoráveis a candidatos da mesma linha ideológica, a vitória na primeira rodada não foi alcançada.

Essa avaliação considera a significativa influência da direita e da extrema direita no país, intensificada pelo bolsonarismo. A dificuldade para candidatos de esquerda alcançarem o poder no Brasil é atribuída a uma série de obstáculos, incluindo a atuação de setores da mídia, forças de segurança, milícias e o fundamentalismo religioso, além do que se percebe como um baixo nível de informação e consciência política em parte da população.

Cenário das pesquisas e a influência dos 'nanicos'

Recentemente, a campanha de Lula tem recebido impulsos positivos, como o reajuste do Bolsa Família, medidas de saúde no SUS e o debate sobre apostas online, além da controvérsia envolvendo desrespeito à imagem de Nossa Senhora Aparecida por evangélicos bolsonaristas. Contudo, a resiliência do eleitorado de Flávio Bolsonaro é notável, com seu apoio se mantendo firme mesmo diante de diversas acusações.

Apesar de algumas teorias indicarem a possibilidade de vitória no primeiro turno para Lula, baseadas em sua liderança na pesquisa espontânea, o argumento prevalente é que o critério mais confiável sempre foi a votação estimulada. Embora a espontânea demonstre a fidelidade do eleitor, a estimulada é historicamente mais próxima do resultado final. A expectativa é que, no afunilamento da polarização, candidatos de menor expressão percam votos, mas não em quantidade suficiente para evitar o segundo turno. Por exemplo, a migração total dos eleitores de Ronaldo Caiado em Goiás ou de Renan Santos para outros candidatos não é considerada provável. Augusto Cury, por sua vez, deve tentar manter seus votos.

Estratégia de Lula e o debate na TV

Nos últimos dias que antecedem o primeiro turno, a decisão de Lula de não participar do debate televisivo promovido pela Globo é vista como um movimento estratégico acertado. A avaliação é que o ambiente seria hostil e prejudicial à sua campanha. Por outro lado, a participação de Flávio Bolsonaro no debate, sem a presença de Lula, poderia torná-lo o principal alvo dos demais candidatos.

Para a candidatura de Lula, o objetivo principal é garantir a liderança no primeiro turno, com a maior margem possível. Isso seria crucial para pavimentar o caminho para a vitória definitiva no segundo turno, que é considerado o desfecho mais provável para esta eleição.