247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem reuniões previstas com pelo menos 11 líderes nesta terça-feira (22), durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, com as guerras no Irã e na Ucrânia entre os principais temas. Segundo a Reuters, a agenda inclui encontros com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e representantes de seis países do Golfo, em um momento de desgaste político do governo americano.
A sequência de compromissos ocorre após uma pesquisa Reuters/Ipsos, divulgada na segunda-feira (21), apontar aprovação de 32% para Trump, o menor patamar registrado pelo levantamento. A guerra conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã elevou os preços dos combustíveis no mercado internacional e ampliou as dificuldades do Partido Republicano antes das eleições legislativas de novembro.
Trump deve iniciar a programação com um discurso aos representantes dos países integrantes da ONU. O conteúdo do pronunciamento não foi divulgado. Depois, participará de reuniões bilaterais e de encontros em grupo com dirigentes de quatro continentes.
Uma das conversas de maior repercussão será com os representantes de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã, Bahrein, Kuwait e Catar. A reunião acontece em meio à preocupação desses governos com os avanços dos houthis, grupo apoiado pelo Irã que controla extensas áreas do Iêmen.
De acordo com a Reuters, os houthis atacaram a Arábia Saudita, aliada de Washington, e ameaçaram a navegação pelo estreito de Bab el-Mandeb. A situação nessa passagem marítima estratégica acrescenta uma dimensão comercial e de segurança às discussões sobre o conflito no Oriente Médio.
Na reunião com Zelensky, a guerra na Ucrânia será o principal pano de fundo. O conflito já dura quatro anos e meio e, conforme a reportagem, permanece sem sinais de arrefecimento, apesar das sucessivas tentativas de mediação do presidente americano.
Outro compromisso acompanhado de perto será o primeiro encontro de Trump com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Ela assumiu o poder com o aval do governo americano depois que forças dos Estados Unidos sequestraram o presidente Nicolás Maduro, em janeiro.
Aliados de Trump afirmam que Washington trabalha com Rodríguez para abrir o setor petrolífero venezuelano a investimentos americanos. A aproximação, porém, enfrenta críticas de democratas e de parte dos republicanos, que consideram insuficiente a pressão da Casa Branca pela realização de novas eleições no país sul-americano.
A agenda também prevê a assinatura de um acordo sobre a Groenlândia durante uma reunião com a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, e o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen. O entendimento busca ampliar a presença militar americana na ilha e restringir o acesso de adversários geopolíticos dos Estados Unidos.
Autoridades dinamarquesas e groenlandesas esperam que o acordo encerre as manifestações de Trump sobre a possibilidade de tomar o território pela força. A Groenlândia integra o Reino da Dinamarca, e as declarações anteriores do presidente americano provocaram tensões com os dois governos.
Trump também deve se reunir com o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham. Na segunda-feira, o presidente americano esteve com o presidente da França, Emmanuel Macron. À noite, uma recepção poderá proporcionar contatos breves com dezenas de outros dirigentes, além dos compromissos formalmente previstos.
A passagem pela ONU ocorre um ano depois de um discurso em que Trump atacou políticas climáticas e de imigração de outros países, afirmando que eles estavam “indo para o inferno”. Desta vez, sua participação será acompanhada sob o impacto das guerras, da alta dos combustíveis e da insatisfação com o custo de vida, que, segundo a pesquisa Reuters/Ipsos, também avançou entre eleitores republicanos.






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